Bolívia se opõe às conclusões do Fórum Mundial da Água
Representante do governo de Evo Morales anuncia que país não assinará a declaração final do encontro por considerar que a água é um direito humano.
Enviado especial à Cidade do México oministro da Água da Bolívia, Abel Mamani, anunciouque seu país não vai assinar a declaração ministerial, que será divulgadano contexto do IV Fórum Mundial da Água, na Cidade do México.
De acordo com o ministro de Evo Morales, a prévia do documento, cuja redação já está acordada entre os cerca de 130 ministros presentes, não faz nenhuma menção à expressão “direito humano à água”, pronunciada duas vezes pelo presidente mexicano, Vicente Fox, durante o discurso inaugural do encontro.
“Já estamos no quarto Fórum Mundial da Água e ainda não se fala em direito humano à água”, afirmou o ministro.
O Ministério da Água da Bolívia vai propor um texto paralelo que trata a água como direito de todos os seres vivos.
Representante do governo de Evo Morales anuncia que país não assinará a declaração final do encontro por considerar que a água é um direito humano.
Enviado especial à Cidade do México oministro da Água da Bolívia, Abel Mamani, anunciouque seu país não vai assinar a declaração ministerial, que será divulgadano contexto do IV Fórum Mundial da Água, na Cidade do México.
De acordo com o ministro de Evo Morales, a prévia do documento, cuja redação já está acordada entre os cerca de 130 ministros presentes, não faz nenhuma menção à expressão “direito humano à água”, pronunciada duas vezes pelo presidente mexicano, Vicente Fox, durante o discurso inaugural do encontro.
“Já estamos no quarto Fórum Mundial da Água e ainda não se fala em direito humano à água”, afirmou o ministro.
O Ministério da Água da Bolívia vai propor um texto paralelo que trata a água como direito de todos os seres vivos.
“A água tem que ser tratada como um bem social e cultural, antes de ser tratada como um bem econômico”, diz um trecho deste texto.
O documento boliviano também defende que o tema da água saia da Organização Mundial do Comércio (OMC) e afirma que o Fórum Mundial da Água se abra aos povos.
O documento boliviano também defende que o tema da água saia da Organização Mundial do Comércio (OMC) e afirma que o Fórum Mundial da Água se abra aos povos.
“No fórum oficial, o que se vê são milhares de pessoas que pensam na água como um negócio”, afirmou Mamani. Ele revelou que está conversando sobre o documento com os representantes dos governos da Venezuela, Argentina, Peru, Equador e Uruguai.
“Estamos num processo, mas pelo que eles têm nos dito, a idéia deve avançar”, completou.
O Fórum Mundial da Água reuniu cerca de 15 mil delegados, que tiveram de pagar de 300 a 600 dólares, além de 130 ministros de Estado. O encontro é convocado pelo Conselho Mundial da Água, que congrega representantes do Banco Mundial e das grandes transnacionais que exploram o recurso hídrico.
Modelo público
Abel Mamani, que como dirigente social na Bolívia sempre defendeu a nacionalização dos recursos naturais e a expulsão das transnacionais, trabalha agora, como ministro, para implantar um modelo público de gestão da água.
O Fórum Mundial da Água reuniu cerca de 15 mil delegados, que tiveram de pagar de 300 a 600 dólares, além de 130 ministros de Estado. O encontro é convocado pelo Conselho Mundial da Água, que congrega representantes do Banco Mundial e das grandes transnacionais que exploram o recurso hídrico.
Modelo público
Abel Mamani, que como dirigente social na Bolívia sempre defendeu a nacionalização dos recursos naturais e a expulsão das transnacionais, trabalha agora, como ministro, para implantar um modelo público de gestão da água.
“Estou como autoridade circunstancialmente, mas não há porque mudar de opinião. Sigo dizendo que a Suez e a Águas de Illimani devem sair do país”, declarou.
O ministério trabalha para a constituição de empresas públicas para a gestão da água, que devem ser transparentes e ter ampla participação das comunidades locais. Um dos problemas apontados pelo ministério é a falta de recursos, por parte dos Estados, para investimentos em estrutura e projetos de gestão da água.
Para Pablo Solon, da Fundação Sólon – que integra um conselho do ministério boliviano –, a estratégia das transnacionais e do Banco Mundial é afirmar que, sem recursos, os governos não conseguirão alcançar as Metas do Milênio da Organização das Nações Unidas, daí a importância do setor privado.
O ministério trabalha para a constituição de empresas públicas para a gestão da água, que devem ser transparentes e ter ampla participação das comunidades locais. Um dos problemas apontados pelo ministério é a falta de recursos, por parte dos Estados, para investimentos em estrutura e projetos de gestão da água.
Para Pablo Solon, da Fundação Sólon – que integra um conselho do ministério boliviano –, a estratégia das transnacionais e do Banco Mundial é afirmar que, sem recursos, os governos não conseguirão alcançar as Metas do Milênio da Organização das Nações Unidas, daí a importância do setor privado.
“Para nós, os Estados têm recursos, mas estão gastando dinheiro em guerras, não na vida. E o setor privado não vai investir em regiões pobres, porque não poderão ter lucros”, afirma.
O ministro boliviano revelou também que vai propor à Assembléia Constituinte, cujos membros serão eleitos no dia 2 de junho, para que o tema
da água seja debatido. A expectativa é que a água seja considerada um direito humano na Constituição Federal, assim como já aconteceu recentemente no Uruguai.
O ministro boliviano revelou também que vai propor à Assembléia Constituinte, cujos membros serão eleitos no dia 2 de junho, para que o tema
da água seja debatido. A expectativa é que a água seja considerada um direito humano na Constituição Federal, assim como já aconteceu recentemente no Uruguai.