Grandes geradoras saem na frente em leilão de energia
Maior geradora privada de energia elétrica do país, a Tractebel foi a grande vencedora do segundo leilão de energia nova promovido pelo governo federal. Dos 1,6 mil megawatts (MW) médios comercializados, a companhia controlada pelo grupo franco-belga Suez vendeu, sozinha, 493 MW ao “pool” de distribuidoras de energia elétrica, o que lhe garantirá receita anual de R$ 560 milhões, ao longo de 30 anos (2009-2038).
“Ficamos satisfeitos com o preço e o prazo também nos dará uma estabilidade na receita da empresa”, diz Maurício Bähr, presidente do conselho de administração da Tractebel. A receita líquida da companhia somou R$ 2,6 bilhões no ano passado. A energia vendida pela companhia no leilão será suprida pelas usinas hidrelétricas de Itá e de Cana Brava.
Logo atrás da Tractebel, a estatal mineira
Os resultados da Cemig e da Tractebel mostram que os grandes empreendimentos de geração, em especial hidrelétrico, tiveram os melhores desempenhos do leilão. Organizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o 2º leilão de energia nova terminou às 4 horas da manhã de sexta-feira. Conseguiu atender a demanda de 1,5 mil MW que havia faltado contratar no último leilão, em dezembro de 2005. Mesmo assim, houve uma sobra de 60% de oferta, o que deve acirrar a concorrência no próximo leilão, marcado para setembro. “O objetivo era estimular a competição e conseguir os melhores preços para o consumidor final”, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (
Foram vendidos 1.682 MW médios, movimentando R$ 45,6 bilhões. A energia hidrelétrica vendida ao pool de distribuidoras será entregue a partir de janeiro 2009 até 2038. Já as térmicas terão prazo de 15 anos, a partir de 2009.
Do total comercializado, 60% será proveniente de hidrelétricas, que envolvem projetos mais baratos. Dos 89 projetos habilitados para serem oferecidos neste leilão, 31 foram contratados, sendo 15 hidrelétricas e 16 termelétricas. Apenas 18 empreendimentos são novos, dos quais sete são pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e 11 são termelétricas (três de biomassa e oito a combustível).
A EPE estima que as empresas deverão investir US$ 1,4 bilhão nos novos projetos, sendo US$ 1,2 para hidro e o restante para termo. Tolmasquim diz que o risco de falta de energia até 2010 é de 3%, considerado um bom número, pois o limite aceitável é 5%.
O preço médio do MWh para as usinas hidrelétricas ficou em R$ 126,77, enquanto para as termelétricas foi de R$ 132,39. O lance máximo estipulado pelo governo foi de R$ 125 para hidrelétrica e R$ 140 para as térmicas. Os valores só foram maiores, em alguns casos de usinas hidrelétricas, porque considerou-se uma taxa pelo uso do bem público (UBP).
A Cemig, a
Tolmasquim destaca que grande parte dos projetos “botox” foi atendido. O restante terá que competir no próximo leilão, marcado para 5 de setembro, pois este tipo de energia só têm até 2007 para ser vendida como energia nova.
A usina de São Salvador, da Tractebel, foi uma das que ficou de fora e terá que tentar o próximo leilão. “Vamos tentar vender São Salvador outra vez e também incluiremos o projeto de Estreito”, diz Bähr. Tanto a usina de São Salvador (potência instalada de 241 MW) como a de Estreito (1.087), ainda não saíram do papel. Demandam, respectivamente, investimentos de R$ 1 bilhão e R$ 3 bilhões.
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Em dezembro do ano passado, a empresa vendeu os outros 148 MW que ainda não haviam sido contratados por R$ 116 por MWh no primeiro leilão de energia nova, em um prazo de 30 anos. O motivo da alta nos preços, segundo o executivo, se devem à redução da oferta de energia e ao aumento do consumo.
O preço, no entanto, não foi tão atrativo para projetos de PCH, que podem conseguir um valor superior a R$ 140, o MWh no mercado livre (consumidores com demanda superior a 3 MW). A
Natalia Gómez e Chris Martinez