Super Eletrobrás: nem elefante, nem lebre


Eletrobrás estuda plano para ter mais agilidade



Cláudia Schüffner, Valor





O presidente da Eletrobrás, Aloisio Vasconcelos, já encaminhou ao Governo proposta para aumentar a competitividade da estatal, conforme diretriz incluída no pacote oficial para destravar investimentos. Vasconcelos, que ontem preferiu não negar e nem confirmar que esteja saindo da companhia no dia 2, vê a Eletrobrás, hoje como “um elefante que custa a dar um passo, e se nunca vai ser uma lebre, devia ser pelo menos um meio termo, um tigre”.






A empresa quer mais autonomia, inclusive para investir, e para isso precisa se soltar de algumas amarras como a Lei 8.666 (das Licitações) e profissionalização da gestão – quando hoje as indicações da companhia são políticas. Estender sua atividade para o exterior é outro ponto importante nesta trajetória.






Para isso Vasconcelos explica que foi proposta, entre outras medidas, a retirada da Eletrobrás da contribuição das estatais para o cálculo do superávit primário do Tesouro Nacional (de aproximadamente R$ 2 bilhões por ano) e a permissão para investir em obras de hidrelétricas através de Sociedades de Propósito Específico (SPEs). Essa última medida permitiria captar recursos no mercado para cada projeto isolado, tornando também o processo decisório mais rápido e eficiente.






“Hoje, o orçamento é de R$ 5,6 bilhões para a Eletrobrás investir em 2007, mas se todos os projetos deslancharem, serão necessários mais recursos”, afirmou Vasconcelos, citando como exemplo de amarras a demora de seis meses para a compra de computadores.






O presidente da estatal energética também sugeriu uma reorganização administrativa e societária no grupo. A idéia é agrupar na holding as subsidiárias Furnas, Chesf, Eletronorte, Eletrosul e Eletronuclear. Elas se tornariam empresas regionais obedecendo ao comando da empresa-mãe, que se tornaria uma “Super Eletrobrás”.






Isso traria mais eficiência gerencial e menores custos para a empresa, defendeu o executivo, explicando que elas poderiam se chamar Eletrobrás Nordeste, Eletrobrás Sudeste e assim por diante, todas sob o comando do presidente executivo (CEO) da holding. Uma possibilidade também é a venda das distribuidoras federalizadas, notadamente a Cepisa (PI) e Ceal (AL), que já teriam interesse do GP e da Iberdrola.






Segundo Vasconcelos, essas mudanças não dependem de ato legislativo, dependendo apenas de um conjunto de assembléias e mudanças jurídicas e de constituição do grupo Eletrobrás, que teria facilitado o caminho para a conversão de suas ADRs para o nível 2 da Bolsa de Nova York.






Essas mudanças trariam ainda um aporte de capitais através da venda de ações que excedem o controle do governo, desde que os recursos viessem para o caixa da estatal. O Credit Suisse calcula que o governo poderia vender até 18,8% das ações ordinárias e 15,7% das preferenciais sem perder o controle da Eletrobrás.






Vaconcelos não quis entrar em detalhes sobre a possibilidade de venda de ações sugerindo que recebeu repreensão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) após entrevistas indicando essa direção. Já a permissão para a empresa atuar no exterior precisa de uma alteração da Lei nº 3.890, de abril de 1962, que criou a estatal. A proposta de mudança está há um ano na Casa Civil.






Ele também evitou comentar notícia publicada ontem em um jornal da Paraíba, de que a diretora de administração da Eletrobrás, Aracilba Rocha – afilhada política de Ney Suassuna (PMDB-PB), investigado no escândalo da Máfia dos Sanguessugas – teria assumido a presidência interina da estatal. “Isso é decisão que cabe ao ministro de Minas e Energia e ao presidente da República”.

Comentário


Começaram a ser explicitadas as idéias para fazer da Eletrobrás, uma “Petrobrás”.


Nada de novo diga-se de passagem: uma reorganização administrativa e societária para agrupar Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul, sob o comando da empresa-mãe, na condição de empresas regionais e algumas idéias na área financeira, todas já conhecidas.


Como naquela pergunta inocente do craque Garrincha, será que avisaram o adversário?


Adversário talvez não seja o termo mais adequado, mas as empresas coligadas são hoje autonomas, têm sua própria diretoria e financeiramente são auto-suficientes. Quanto à área econômica do próprio governo não se tem notícia se concorda com a retirada do Grupo Eletrobrás das amarras da Lei 8666 e da contribuição para o superávit primário.


Uma coisa é certa: muitos kilowatts ainda serão gerados até que se tenha uma solução que agrade a gregos e troianos.




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