Tolmasquim critica incentivos de governos estaduais ao consumo do GNV
Rafael Rosas, Valor
| O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, criticou os incentivos dados por governos estaduais para o consumo de gás natural veicular (GNV). Segundo ele, não faz sentido promover o uso de um recurso natural escasso no país, que atualmente importa 50% de todo gás natural consumido. Tolmasquim chamou de “populismo energético” esse tipo de incentivo. |
| De acordo com dados apresentados pelo executivo, o consumo de gás natural no Brasil cresceu, em média, 14% ao ano desde 2001 e a expectativa é de um avanço ainda maior, de 17%, este ano. Apesar de a importação representar atualmente 50% do gás natural consumido no país, a expectativa da EPE é de que essa dependência caia para 25% em 2030, com o insumo passando dos atuais 9% de participação na matriz energética, para 15%. |
| Para Tolmasquim, o mais razoável seria a aposta no consumo do álcool, em vez do incentivo do GNV. “O país produz etanol, que é 100% natural, e exporta o produto inclusive. Não é muito lógico dar isenção de IPVA para carros com GNV”, afirmou Tolmasquim, ao participar da 2ª Conferência Nacional de Política Externa e Política Internacional, no Palácio do Itamaraty, no Rio. |
| Na semana passada, no auge da crise que levou a Petrobras a reduzir o fornecimento de gás natural para distribuidoras do Rio e de São paulo, o secretário de Desenvolvimento do Rio, Julio Bueno, lembrou que a prerrogativa constitucional para distribuição do insumo é dos Estados e disse que no Rio, em caso de escassez do produto, a preferência seria para os consumidores de GNV, em detrimento das usinas termelétricas. |
| Ontem, apesar de ter criticado os incentivos ao consumo de GNV, Tolmasquim fez questão de frisar que os consumidores que apostaram nas políticas estaduais e optaram por veículos a gás devem ser respeitados. |
| A secretaria estadual do Ambiente do Rio informou ontem que a Feema aprovou a Licença de Instalação (LI) do Terminal de Cabiúnas (Tecab), da |
| O terminal receberá gás natural das plataformas petrolíferas de Campos, enviando-o por dutos até a refinaria Reduc, em Caxias, na Baixada Fluminense. Atualmente, esse gás está sendo queimado. |