Monitor Mercantil 22 de março de 2010
Energia retrocede dez anos com a privatização
Índices são os piores desde 99, mas nenhuma concessão ainda foi cassada
O que os brasileiros já sentiam em suas residências e seus locais de trabalho, foi confirmado até pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel): os indicadores de qualidade do serviço de energia chegaram aos piores níveis desde as privatizações. (grifos nossos)
Em alguns locais, segundo a Aneel, eles estão perto dos patamares de quando o setor era centralmente estatal.
A pior prestadora de serviço é a AES Eletropaulo (SP): mais 78% na duração das interrupções no fornecimento em janeiro de 2010 sobre o mesmo mês de 2009.
Em segundo lugar está a Ampla (RJ), incremento de 62% na duração das interrupções no período.
Em terceiro vem a Light (RJ) – um dos pesadelos dos cariocas – com piora de 45%.
As concessionárias, porém,insistem em negar haver falta de investimentos, preferindo culpar as fortes chuvas deste verão como a principal causa dos apagões.
Apesar disso, apenas a partir deste ano a piora do serviço terá impacto econômico para as empresas, com concessão de descontos na tarifa para compensar os blecautes.
Segundo a Aneel, a duração das interrupções do fornecimento de energia somou 18 horas em janeiro de 2010 em todo o Brasil, o pior patamar desde dezembro de 1999 (20 horas).
No Sudeste, região que mais tem sofrido com os blecautes, em janeiro deste ano, as interrupções duraram 13 horas, o nível mais alto desde dezembro de 1999 (14 horas).
A tendência é de piora dos indicadores com os problemas na rede em fevereiro e março.
Os dados da agência, que, até agora, não sugeriu a cassação de qualquer concessão, mostram expressiva piora do serviço de energia em importantes áreas de concessão.
A AES Eletropaulo, que atende 24 municípios da região metropolitana de São Paulo, inclusive a capital, fechou janeiro com interrupções de 17 horas, contra 19 horas em dezembro de 1998, quando foi privatizada.