Duas notícias publicadas pela imprensa em Pernambuco
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Diario de Pernambuco – PE
06/04/2010
Em defesa da Chesf
Ato – Oposicionistas e governistas uniram-se em protesto contra o esvaziamento da geradora
Rosália Rangel
O ato promovido ontem em defesa da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) acabou expondo divergências entre adversários políticos. Os representantes da oposição atenderam a convocação do líder do PT na Câmara dos Deputados, Fernando Ferro, e compareceram à manifestação que condenou à subordinação da companhia à Eletrobras. Mas, provocados pelo petista, reagiram cobrando uma postura mais contundente do governador Eduardo Campos (PSB) e dos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) sobre o assunto.
Fernando Ferro, no entanto, retrucou. Criticou a exibição de uma faixa que creditava à ex-ministra Dilma a situação enfrentada hoje pelos chesfianos e disse que não ia permitir que o movimento fosse transformado em palanque eleitoral. “Essa empresa não pertence a nenhum partido político. Pertence ao nosso país”. O mal-estar ficou mais evidente quando o parlamentar lembrou os episódios que, em 2002, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quase culminaram com a privatização da Chesf. Ele lembrou que, em 2004, foi o relator da Medida Provisória que, após virar a lei 10.848, retirou do programa de nacional de privatização a Eletrobras e suas subsidiárias.
“Conseguimos reverter a situação. Infelizmente não conseguimos evitar a privatização da Celpe”, enfatizou o deputado. Na plateia, o ex-governador Mendonça Filho (DEM) acompanhou o discurso de Ferro. O democrata foi responsável pela articulação que impediu a venda da Celpe no último ano (1998) do governo Miguel Arraes (PSB). A privatização, no entanto, aconteceu no momento seguinte, quando o estado passou para o comando de Jarbas Vasconcelos (PMDB), com Mendonça Filho no cargo de vice-governador. “É mais importante reconhecer o erro de que continuar no erro”, alfinetou o petista.
Antes do deputado, Mendonça Filho havia afirmado que a Chesf é “uma empresa diferenciada” e que tem dado uma “contribuição importante” para o país e para Pernambuco. O apoio à autonomiada empresa também partiu do deputado federal Roberto Magalhães (DEM). “Querer que a Chesf seja administrada por outra empresa é dar um tiro de morte. Pernambuco não vai permitir que isso aconteça. Se for preciso iremos ao Judiciário”, alertou. A deputada estadual Terezinha Nunes (PSDB) argumentou que a disposição de defender a estatal não deve ser restrita ao Legislativo. “O Executivo tem que estar presente. Cadê o governador Eduardo Campos? Cadê os governadores do Nordeste?”, indagou, recebendo aplausos.
Também participaram do ato o deputado federal André de Paula (DEM), os deputados estaduais Isaltino Nascimento (PT), Pedro Eurico (PSDB), Augusto Coutinho (DEM), Jacilda Urquiza (PMDB) e a vereadora do Recife Aline Mariano (PSDB). Além deles, sindicalistas, funcionários da empresa e representantes de organizações sociais. Logo após os discursos políticos, os manifestantes deram um abraço simbólico na empresa.
Ações pró-Chesf
Fernando Ferro (PT) apresentou requerimento à Câmara dos Deputados, solicitando audiência com o presidente da Eletrobras, João Antônio Muniz Lopes. O documento será votado em plenário amanhã. Se aprovado, a audiência deve acontecer na próxima quarta-feira (14).
Os organizadores do movimento vão elaborar documento para solicitar ao governo federal que suspenda o processo de “esvaziamento” da empresa. A intenção deles é que o assunto seja discutido pelo Congresso Nacional e pela sociedade.
Também está prevista a realização de uma passeata.
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Jornal do Commercio – PE
06/04/2010 – 06:34
Protesto pela Chesf une base governista e oposição
Lideranças políticas de Pernambuco se mobilizam e começam a agir para evitar o desmonte da maior empresa do Nordeste
Da Redação
Políticos dos mais diversos partidos participaram de um protesto contra o esvaziamento da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), ontem pela manhã em frente à sede da empresa, no Bongi. Tocado pelo governo federal através da Eletrobras, o processo de perda de autonomia da estatal foi considerado “inaceitável” por parlamentares do PMDB, DEM, PV e até pelos governistas do PT. A mudança na empresa consiste em transferir para o conselho de administração da Eletrobras, no Rio de Janeiro, todas as decisões que antes eram tomadas pela Chesf, no Recife.
“Aqui, tem deputados de todos os partidos e considero que esse é o primeiro passo. No próximo, o PT, além de usar a tribuna, deve apresentar uma estratégia de mobilização para que essa luta tenha resultado”, disse o deputado federal Roberto Magalhães (DEM), após discursar no protesto. Durante o governo FHC, Magalhães foi uma das principais vozes contra a privatização da empresa.
“É um absurdo o esvaziamento da estatal. É inaceitável que o governo tenha vendido energia da Chesf mais barata a sete grandes empresas. Não estamos fazendo uma defesa num ano eleitoral, mas queremos que a companhia continue contribuindo para o desenvolvimento de Pernambuco e do Nordeste”, discursou o ex-governador Mendonça Filho (DEM). Mendonça referia-se à decisão tomada pela Eletrobras que, ao obrigar a Chesf a renovar automaticamente (até 2015) contratos de fornecimento de energia com grandes empresas, provocou uma perda de R$ 350 milhões aos cofres da estatal nordestina. Saíram beneficiadas a Vale, Braskem, Dow Química, Gerdau, Caraíba Metais, Novellis e Ferbasa.
A manifestação foi calma, contou com a presença de cerca de 200 funcionários e um pequeno palco no qual os políticos discursaram. A empresa tem cerca de 5,7 mil funcionários, dos quais 1,6 mil são lotados na sede da estatal. Os representantes da oposição espalharam várias faixas, incluindo uma que chamava a candidata a presidente da República do PT, Dilma Rousseff, de madrasta do esvaziamento da Chesf. O atual processo de reestruturação do setor elétrico foi elaborado por Dilma, quando era ministra de Minas e Energia. Mas quem coordenou politicamente o processo de esvaziamento da Chesf foi José Antônio Muniz, presidente da Eletrobras e membro do grupo político de José Sarney e Edison Lobão, ambos do PMDB.
Ainda no evento, o líder do PT na Câmara Federal, Fernando Ferro, chegou a criticar alguns políticos de oposição de estarem “tirando onda” e usando a situação da estatal para fazer palanque. “Nada do que foi feito com a Chesf passou pelo Congresso. Propomos que essas resoluções, que são decisões políticas, sejam revistas”, disse Ferro. O líder do PT conclamou os funcionários da empresa a se mobilizarem e entrarem em greve, caso seja preciso para preservar a Chesf. “O nordestino que tem vergonha na cara não pode deixar que continue esse processo de esvaziamento”, afirmou, acrescentando que recebeu uma carta de José Antonio Muniz dizendo que o líder do PT não deveria reagir a uma decisão do governo federal. Ele pretende aprovar, amanhã uma audiência pública, na Câmara dos Deputados, para convocar o atual ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann (que substituiu Lobão), ou o próprio presidente da Eletrobras.
O protesto também contou com a presença de sindicalistas, diretores de ONGs, dos deputados federais Bruno Rodrigues (PSDB), Raul Henry (PMDB), André de Paula (DEM), além de vários parlamentares da bancada estadual, como Terezinha Nunes (PSDB), Miriam Lacerda (DEM) e Augusto Coutinho, líder da oposição na Assembleia. “A Chesf é uma empresa estratégica para o Nordeste. Esperamos que ela não se transforme no mesmo cadáver insepulto que se transformou a Sudene”, comentou Raul Henry.
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