» QUESTÃO REGIONAL
Eletrobras promete mudar estatuto da Chesf
Publicado em 27.05.2010 no Caderno de Economia, Jornal do Commercio, Recife, PE
Diretores da holding admitem falha na comunicação e garantem que Chesf não perderá autonomia. Mas a comprovação disso só será possível após seis semanas. É o tempo para o estatuto ser alterado
O presidente em exercício da Eletrobras, Ubirajara Rocha Meira, e o presidente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), Dilton da Conti, prometeram ontem, em entrevista coletiva, que ocorrerão mudanças nos estatutos da estatal regional para aprimorar a gestão. Eles garantiram também que a Chesf não perderá autonomia. As modificações só devem sair do papel num prazo de até seis semanas, segundo Ubirajara. A alteração que será implantada mais rapidamente é a mudança da logomarca, que voltará a ser a marca regional (Chesf). Desde 2008, a estatal perdeu a sua autonomia com as mudanças que a Eletrobras fez nos seus estatutos.
As mudanças estatutárias já foram aprovadas numa reunião do Conselho de Administração da Eletrobras, que ocorreu na última sexta-feira, em Brasília. O prazo de seis semanas é o tempo estimado para as modificações serem aprovadas pelo Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais (Dest), pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e pelo próprio Conselho de Administração da Chesf.
Para fazer uma mudança no estatuto, terá que ser realizada uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) dos acionistas da Chesf. As mudanças também devem ser aprovadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). As modificações a serem feitas obedecerão as novas diretrizes estabelecidas no ofício de nº 605 do ministro Márcio Zimmermann, que estabelecia que as empresas regionais continuariam a sua atuação como vetores de desenvolvimento local.
Os presidentes das duas empresas anunciaram algumas das mudanças. Uma das mais importantes será a retirada do limite de 0,5% do capital social da empresa para as decisões locais sobre as operações de empréstimos a contrair, garantias a financiamentos, contratos de obras, empreitada, fiscalização e compras. Com a mudança do estatuto feita em 2008, quando essas operações ultrapassavam 0,5% (R$ 78 milhões) as decisões da Chesf teriam que passar pelo conselho de administração da Eletrobras. Somente este ano, a Chesf planeja investir cerca de R$ 1 bilhão.
A estatal regional também poderá voltar a participar de sociedade de Propósito Específico (SPE), segundo Dilton da Conti. A participação nos grandes empreendimentos do setor elétrico ocorre via SPE, porque os empreendimentos têm valores altos. Antes, havia uma determinação da Eletrobras estabelecendo que a Chesf ou entraria com 100% do investimento ou participaria de SPEs excepcionalmente, como foi o caso do leilão da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.
“Tudo na vida tem risco, mas o risco é quase nenhum dessa (nova) mudança ser alterada”, comentou Dilton, acrescentando que não podia dar uma cópia do estatuto novo porque a legislação não permite. A argumentação dele é que a Chesf é uma empresa de economia mista de capital aberto e as mudanças serão realizadas numa AGE dos acionistas. Ainda não foi marcada a data da AGE.
Este ano, a Chesf destinou R$ 3 milhões para o edital de patrocínio cultural feito pela Eletrobras, que deve liberar R$ 15 milhões para projetos em todo o País. “Não tinha sentido fazer um edital só para a Chesf”, explicou Dilton. Em 2010, a estatal regional vai liberar 13 milhões para esses eventos, dos quais R$ 3,5 milhões serão destinados a projetos de qualquer lugar do País. Até o ano passado, a Chesf concentrava os seus patrocínios no Nordeste.
| Remessa do lucro será reduzida Publicado em 27.05.2010 A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) passará a enviar, no mínimo, 25% do seu lucro para a Eletrobras, que é a dona da empresa. Este ano, a geradora enviou 100% do lucro de 2009, que foi de R$ 764,4 milhões. A diminuição da remessa do lucro será uma das modificações a serem implementadas na estatal, que passa por um processo de esvaziamento. A coletiva de imprensa realizada ontem marcou uma mudança de postura da Eletrobras com relação ao esvaziamento da estatal regional.Foi a primeira vez que as diretorias da Eletrobras e da Chesf trataram do problema juntas e isso ocorreu a pedido da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, que foi indicada por Lula “para resolver o problema” da Chesf.
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