China põe em operação a polêmica hidrelétrica das Três Gargantas
A represa das Três Gargantas, no rio Yang-tsé, não é exatamente o que costuma ser se propagandeado. Ela é com freqüência qualificada de maior barragem hidrelétrica do mundo. Mas diversas outras são mais altas ou mais longas. A represa de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai, produz mais eletricidade, ao menos por enquanto, e seus operadores dizem que continuará a fazê-lo, apesar de a represa chinesa no futuro ter maior capacidade.
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Explosão destrói barragem temporário e lança as águas do rio Yang-tsé contra a represa das Três Gargantas, na China |
Ninguém, porém, pode duvidar da determinação chinesa em concluir a obra. Em maio, foi inaugurada a estrutura com 2,3 km de comprimento e 181 metros de altura, após 13 anos de trabalho – e alguns meses antes do prazo previsto. Jornais chineses saudaram a concretização de um sonho nacional cujas origens remontam ao líder revolucionário Sun Yat-sen, no início do Século XX. Com atípica transparência, a mídia oficial disse que a tarefa tinha custado a vida de mais de cem trabalhadores.
Mas tanto a construção como a enorme controvérsia gerada ainda não terminaram. Ontem, outro marco notável foi atingido, quando foi dinamitada uma barragem temporária de 580 metros que protege o trecho final recém-concluído, lançando as águas do Yang-tsé contra a represa, que começa a executar a função de controlar o nível e as enchentes do rio.
A instalação dos 12 geradores remanescentes, além dos 14 já em operação, deverá ser concluída em 2008, um ano antes do previsto no cronograma. E ainda falta muito trabalho num complexo maquinário que erguerá embarcações para transpô-las sobre a represa. Será o maior desses mecanismos no mundo, mas sua conclusão tem sido adiada por atrasos e poderá não estar terminado até 2010.
A represa é sem dúvida recordista em termos do número de pessoas que expulsou. Autoridades dizem que 1,13 milhão de chineses foram transferidos de cidades e vilarejos a montante para dar lugar a um reservatório com extensão de 660 km. Outras 172 mil ainda serão deslocadas. Esses números são conservadores. Muitas pessoas que vivem a montante da barragem e que não têm alvarás de residência de longo prazo não foram contadas nem indenizadas. Muitas outras queixam-se de que funcionários públicos corruptos desviaram dinheiro destinado a reassentamento populacional. Vários líderes de protestos foram detidos ou presos ao longo dos anos.
Autoridades dizem que a colossal produção energética da represa ajudará a reduzir a dependência do país em relação ao carvão em cerca de 50 milhões de toneladas por ano. Mas o dano ao meio ambiente também será considerável. Moradores nas imediações dizem que a qualidade da água rio acima piorou visivelmente. O governo diz gastar mais de US$ 1,3 milhão por ano recolhendo lixo do reservatório. Montes de detrito são comuns nas águas que antes fluíam.
Um funcionário do governo vinculado ao projeto disse que a represa custará cerca de 10% menos que o orçamento de US$ 25,2 bilhões, embora seja generalizada a crença em que o verdadeiro custo é bem superior. A China não se deteve diante de críticas. Barragens ainda maiores foram propostas para trechos a montante no próprio Yang-tsé e para o rio Nu, que corre paralelo. Há franca oposição dos ambientalistas chineses, mas com limitados resultados. The Economist. Valor