A notícia da esquerda revela que um dos maiores equívocos já cometidos por esse governo está a ponto de ser repetido. Vão vender a única empresa capaz de investir, na esperança de que assi …


A notícia da esquerda revela que um dos maiores equívocos já cometidos por esse governo está a ponto de ser repetido. Vão vender a única empresa capaz de investir, na esperança de que assim, os investidores, todos muito gratos pelo presente, irão rapidamente construir novas usinas. Em qualquer país desenvolvido a razão primordial do investimento é a perspectiva de venda. Crescimento de mercado de energia o Brasil têm! Porque não investem?


Qualquer um sabe que por mais atrativa e favorável for a venda de FURNAS, ela estará absorvendo um montante de capital (*) que poderia estar sendo utilizado para novas unidades. Mas as autoridades governamentais pensam que a oferta de capital é inesgotável e vão, mais uma vez cometer o mesmo erro cometido por ocasião da venda das distribuidoras.


Outro aspecto impressionante é o garbo e orgulho que se anuncia que após 2003 os preços da energia das geradoras irá…. AUMENTAR! A sociedade brasileira agradece estusiasmada!


A notícia da direita mostra o caos conceitual implantado no setor. Sobras? Que sobras? Com a taxa de risco de déficit atingindo quase 20%?


(*) Se o capital não vier do BNDES.


Eletrobrás defende privatização de geradoras (Setembro de 99)

Baixo endividamento de companhias como Furnas ajudaria a ampliar investimentos


EUGÊNIO MELLONI


O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio Neto, defendeu ontem, em São Paulo, a privatização dos ativos de geração de energia elétrica pertencentes às empresas do Grupo Eletrobrás. Sampaio Neto destacou a atratibilidade das companhias geradoras, lembrando ainda que as companhias, entre elas a Furnas Centrais Elétricas, têm um perfil de baixo endividamento, o que seria positivo para a alavancagem de investimentos sob uma gestão privada.


ãFurnas, por exemplo, tem um endividamento de cerca de 10% do seu patrimônioã, lembrou Sampaio, que foi um dos palestrantes da 19ª Reunião Plenária do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos (Cebeu), realizada ontem na capital paulista. O discurso de Sampaio se opõe frontalmente às declarações de Luís Carlos Santos, presidente de Furnas, que defende a permanência do controle estatal da empresa mesmo em um processo de pulverização do capital da empresa.


O presidente da Eletrobrás acrescentou que considera necessária a privatização para que estas empresas possam expandir-se e atender à crescente demanda por energia do País. Sampaio contextualizou a defesa da privatização das energéticas federais lembrando que a iniciativa privada deverá ampliar a sua participação na geração de energia do País, seja por meio de hidroelétricas, seja por intemédio de termoelétricas. Sampaio ressaltou que houve uma adesão massiva de empresas privadas ao programa de geração termoelétrica federal e que pelo menos cinco consórcios privados têm concorrido em cada licitação de novos empreendimentos hidráulicos.


Preços – As geradoras do Grupo Eletrobrás, que respondem hoje por cerca de 50% da produção de energia, deverão elevar os preços de sua energia a partir de 2003, quando começarem a expirar os atuais contratos comerciais firmados entre as produtoras e os consumidores livres e as distribuidoras, disse Sampaio. Pelas regras de reestruturação do setor elétrico, serão liberados a cada ano 25% dos contratos bilaterais, com a previsão de que todo o mercado esteja desregulamentado até 2006. Segundo Sampaio, essa liberação permitirá fechar novos contratos com preços mais altos que os vigentes atualmente, influenciados pela maior participação da energia térmica.


Sampaio diz que um dispositivo legal, adotado há alguns meses, impedirá as geradoras de renovarem os contratos com os seus clientes. Ele acredita que a medida não deverá restringir as alternativas de compra para as distribuidoras, que, segundo ele, poderão ampliar a parcela de autofornecimento (a geração própria) desde que participem do programa prioritário de termoeletricidade.



Investimento em Furnas sob ameaça




Pagamento de lucros e dividendos a acionistas deixaria empresa sem recursos para aplicar no desenvolvimento do setor

MAIR PENA NETO




Mesmo elogiado por diversos setores da sociedade, do governo à oposição, o novo modelo de privatização de Furnas ainda deixa dvida sobre a capacidade de investimento da empresa para atender as necessidades de expansão do sistema elétrico brasileiro. O presidente da Sociedade Brasileira de Planejamento Energético (SBPE) e professor da Coppe/UFRJ, MaurÌcio Tolmasquim, questionou como conciliar a remuneração de muitos acionistas com a necessidade de investimentos no setor.




Tolmasquim destacou que Furnas é uma empresa lucrativa e tem uma renda alta pelo fato de a maioria de suas usinas já estar amortizada. Este caixa da empresa é que lhe permitiria fazer os investimentos necessários ¦ expansão do sistema elétrico. ãMas se Furnas tiver que dividir este lucro entre seus acionistas, como se garantirá o reinvestimento no setor?, indaga.

Como o governo estuda manter entre 8% e 10% do capital, para pulverizar o restante e limitando as compras ao máximo de 5%, poderia usar seu poder para determinar os investimentos no setor elétrico. Mas isso criaria novo impasse, diz. Será que os milhares de acionistas que comprarem as açes de Furnas ficariam contentes com essa decisão?.




Para o presidente da SBPE, a única vantagem em vender tantas ações agora seria gerar um pouco mais de caixa para a União. Tolmasquim afirma, porém, que isso não é mais premente para o governo. Neste caso, será necessário ao governo reduzir tanto assim a sua participação?




Sem preconizar a manutenção de uma empresa estatal, até porque ela ficaria com uma série de amarras, como não poder receber recursos do BNDES, Tolmasquim sugere que o governo fique com o controle da nova empresa pblica. Mas sem a obrigação de remunerar uma multidão de acionistas, acrescenta.




O fÌsico e vice-diretor da Coppe, Luiz Pinguelli Rosa, que recebeu a notÌcia da pulverização das açes de Furnas em Paris, onde participava de um seminário, defendeu o modelo francês do ncleo duro, que foi aplicado na privatização da petrolÌfera Elf. Por este modelo, o estado cria um ncleo de acionistas para estabilizar a empresa, ligados por um pacto acionário. No caso da Elf, o ncleo de acionistas detém 10% do capital e uma ação ordinária pertencente ao governo foi transformada em golden share, com o direito, entre outros, de bloquear operações que envolvam a troca do controle acionário da companhia.

ãEste modelo de pulverização anunciado pelo governo sÛ dará certo se for fixado um acordo entre acionistas para a criação do chamado ncleo duro, que garante o caráter de empresa pblica, com o estado associado a empresas privadas e fundo de pensesã, defendeu Pinguelli.


Usina nuclear deve aumentar geração de 1.055 MW para 1.309 MW; Eletrobrás fará termelétrica para suprir falhas Angra 2 é autorizada a operar na capacidade máxima

HUMBERTO MEDINA DA SUCURSAL DE BRASÍLIA


A usina nuclear de Angra 2 foi autorizada pela CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) a gerar 100% de sua capacidade de produção, equivalente a 1.309 megawatts. A unidade, que entrou em operação em julho, estava gerando 1.055 megawatts. Ontem, Firmino Sampaio, presidente da Eletrobrás, disse que a empresa construirá uma usina termelétrica que garantirá 500 megawatts de energia. A produção poderá ser usada em caso de falha das usinas Angra 1 e 2. A usina, que será construída no Rio e custará aproximadamente US$ 220 milhões, poderá também comercializar sua energia em caso de funcionamento normal das unidades nucleares.


Custo menor em reais Firmino disse ainda que o governo não tem informação suficiente para decidir se inicia ou não a construção da usina nuclear de Angra 3. O presidente da Eletrobrás informou que o custo da construção, em reais, deve ter diminuído. Antes da desvalorização de janeiro do ano passado, o custo estimado para a construção era de US$ 1,5 bilhão. Atualmente, o governo gasta R$ 2 milhões por ano para conservar os equipamentos de Angra 3, que valem US$ 50 milhões. Eles custaram US$ 600 milhões ao governo.


Mercado livre Os distribuidores de energia querem modificações nas regras que estabelecem a liberação do mercado de energia elétrica. Pelo calendário estabelecido pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), até 2005 todos os consumidores poderão escolher seus fornecedores. O diretor-executivo da Abradee (Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica), Luiz Carlos Guimarães, disse que as regras atuais não garantem às empresas distribuidoras que a energia comprada das geradoras será vendida.


Sobras O diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo, explicou que a energia que eventualmente sobrar em caso de perda de consumidor poderá ser vendida no mercado atacadista. Luciano Pacheco, diretor da agência, garantiu que ãnão haverá retrocessoã no processo de liberação do mercado. Os distribuidores pediram também que o aumento de custos com gastos chamados por eles de ãnão administráveisã (subsídio para termelétricas e aumento de alíquotas de imposto, por exemplo) fosse repassado integralmente para o consumidor por uma ãconta de compensaçãoã.


Risco A Aneel não concorda com o pedido. De acordo com a agência de energia, essas perdas fazem parte do risco do negócio e são repassadas, parcialmente, no reajuste anual de tarifas. Abdo informou ontem que a Aneel está estudando a carga tributária na comercialização de energia elétrica, estimada em 40%. O diretor-geral da agência informou que considera a carga alta, mas que a Aneel só pode fornecer informações para a discussão do problema.










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