Na Inglaterra, quem gostou mesmo do modelo mercantil foi o conjunto dos grandes consumidores ingleses. A Universidade de Greenwich publicou uma avaliação mostrando que os grandes industriais, hoje, pagam, em média, menos 22% por sua energia. Já os consumidores cativos tiveram que arcar com mais 5% em suas contas. O Brasil trilha um caminho tortuoso, mas está navegando na mesma direção. É possível imaginar um cenário melhor para quem precisa de muita energia? Usinas que geram barato sem contrato e dando sopa. Nas distribuidoras, elasforam substituídas por contratos de térmicas mais caras que nem gerar precisam. O novo modelo parece que vai fazer uma reserva de mercado para energia nova, mais cara, destinada ao mercado cativo. Adivinhe o que já está acontecendo? As geradoras correm desesperadas para vender sua sobra para quem tem escala de consumo. Um modelo híbrido mercado – serviço público, após uma descontratação autofágica, pode causar mais distorções do que as que já existem. É a raposa sozinha no galinheiro.
Geradora de Energia dribla novo modelo (Valor 7/5/2004)
As geradoras de energia estão se antecipando à regulamentação do novo modelo do setor elétrico e partiram para fechar contratos diretamente com grandes consumidores. CESP, CEMIG, EMAE, FURNAS e ELETRONORTE já assinaram contratos bilaterais de venda de energia com grandes indústrias.
Saída de grandes consumidores provoca queda de consumo na Eletropaulo (Canal Energia 6/5/2004)
Somente no primeiro trimestre, distribuidora perdeu 18 grandes clientes cativos para o mercado de livre contratação Oldon Machado, Negócios
Os grandes consumidores do maior mercado industrial do país foram os principais responsáveis pela queda de 3,9% nas vendas de energia da Eletropaulo (SP). Somente nos três primeiros meses de 2004, quando obteve prejuízo de R$ 13,6 milhões,a distribuidora registrou uma perda de 18 clientes de grande porte para o mercado de livre contratação, impactando no volume de consumo. Entre o segmento industrial, a queda na demanda foi de 14,3% em relação ao primeiro trimestre de 2003.
BNDES cobra AES na Justiça (Valor 7/5/2004)
O BNDES entrou na justiça para cobrar US$ 750 milhões ao consórcio SEB (liderado pela AES), referente a financiamento para a compra de participação na Cemig. A dívida venceu há um ano