Aceitar a discussão?
Não há outra saída a não ser aceitar rediscutir os contratos. Não só os contratos, tudo! O modelo neo-liberal de mercado, ao invés de tornar o sistema mais eficiente, criou uma série de custos antes inexistentes. Por exemplo: Quanto custou a estrutura, consultorias, salários e outros só para implantar o MAE? Seja quanto for, esse dinheiro foi todo para o ralo, pois o MAE, além de ser dispensável encerra uma contabilidade não auditada cujo sistema de preços não resiste a mais simples lógica. Isso é custo interno do setor elétrico. E os externos? E o comprometimento de bilhões do BNDES com as empresas do setor, que se não fossem para salvá-las, poderiam ser emprestados às pequenas empresas que não têm acesso a esses créditos? Colocados na ponta do lápis, os prejuízos da experiência mercantil no setor elétrico brasileiro tem proporções macroeconômicas que assustam. É bom nem fazer a conta…
Setor elétrico aceita discussão de contratos (Estado de São Paulo 15/11)
Roberto Rockmann , De São Paulo
A renegociação dos contratos de concessão não é descartada pelas distribuidoras, desde que os novos parâmetros a serem definidos na discussão reflitam a rentabilidade dos negócios. Nas discussões com o novo governo, as empresas também vão mostrar a necessidade de que se analise toda a estrutura tarifária. Hoje o consumidor paga caro, mas as concessionárias recebem pouco e mal. Ou seja, o sistema atual teria de ser mudado, para completar e solidificar a equação financeira do setor elétrico. Os tributos presentes nas contas de luz são um dos grandes problemas apontados.
O custo da energia em dólar de Itaipu é um dos fatores que mais pesam sobre as contas das concessionárias. Segundo o presidente de uma grande distribuidora, criar um fundo que pudesse amortizar as variações cambiais, de forma semelhante ao que é feito com o gás da Bolívia, seria um meio de reduzir essas pressões.
Outro ponto que pressiona as tarifas é a CCC (Conta de Consumo de Combustíveis). Com o aumento das térmicas, esse encargo se tornou um fator extra de aumento. As elevações de preços das geradoras também se configuram em outro incentivo a cotações mais altas.
Mas não é só isso. Os impostos são outro nó. Dados da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee) apontam que do total da fatura de energia apenas 21% é destinada à cobertura de custos e remuneração das operações, enquanto mais de 20% destinam-se a impostos diretos e 7% a indiretos.
Portanto é fundamental mexer nessa estrutura, o que mexeria menos no bolso do consumidor e melhoraria os resultados das distribuidoras.
As elétricas também deverão aproveitar a negociação para discutirem a revisão periódica de tarifas. Os empresários estão descontentes com a metodologia escolhida pela Aneel e querem modificá-la. Para isso trabalham em um critério que seja atraente para consumidores e empresas.
Desembolsos do BNDES já aumentaram 51% (Estado de S. Paulo 14/11)
Previsão é que, no ano, ultrapassem os R$ 32 bilhões, bem acima dos R$ 25 bilhões de 2001
ALAOR BARBOSA
RIO – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve encerrar 2002 com desembolsos superiores a R$ 32 bilhões, bem acima dos R$ 28 bilhões previstos no orçamento para este ano e dos R$ 25 bilhões de 2001.
Até outubro, os desembolsos do banco somavam R$ 29 bilhões, com aumento de 51% em relação aos dez primeiros meses do ano passado. Dois segmentos são responsáveis pelo desempenho recorde: as distribuidoras de energia elétrica e os compradores de aviões da Embraer. Desde janeiro, o banco já desembolsou R$ 6,4 bilhões para as empresas de energia – aumento de 764%, R$ 4 bilhões nos últimos três meses, após a homologação do Acordo Geral do Setor Elétrico por causa do racionamento de 2001, beneficiando 36 distribuidoras de energia.
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Empréstimo oficial visa evitar calote de R$ 11 bi (JB – 15/11)
Medida reduziria insatisfação já manifestada pelo futuro governo
CLARISSA LIMA
Da Sucursal de Brasília
BRASÍLIA – O impasse no pagamento dos negócios realizados no Mercado Atacadista de Energia deverá ser resolvido à moda antiga: o governo estuda oferecer linhas do BNDES para socorrer empresas endividadas. O banco já emprestou R$ 6 bilhões ao setor para compensar os prejuízos do racionamento.
No próximo dia 22, as empresas terão que pagar um total de R$ 11 bilhões para as vendas de energia feitas desde setembro de 2000. A nova expectativa de cálculo foi anunciada esta semana pelo Mercado Atacadista de Energia. Com o financiamento do BNDES, o governo espera reduzir a insatisfação do PT. O partido já ameaçou entrar com uma ação judicial questionando a contabilização das contas.
Uma das justificativas dos petistas para evitar o encontro de contas era o prejuízo das geradoras estatais, principais devedoras do MAE. O partido teme que, com o pagamento das faturas do mercado, seja reduzida a capacidade de investimento das geradoras federais.
Apesar da disposição da bancada, o assunto não é consenso no PT. A ala menos radical defende o pagamento das faturas, temendo uma fuga de investidores. O partido sabe que precisará de investidores privados para garantir novas obras de geração a partir do próximo ano. A Eletrobras, holding do setor, tem capacidade para investir R$ 4,1 bilhões em 2003. Mas a necessidade de recursos para assegurar o abastecimento chega a R$ 10 bilhões por ano. Com esta perspectiva, um calote de R$ 11 bilhões não seria bem visto entre os investidores.
Esta também não seria a primeira vez que estatais emperrariam os pagamentos do MAE. Em 2000, a liquidação do mercado foi paralisada devido a uma dívida de Furnas, contestada na Justiça pela empresa. O calote de distribuidoras e geradoras também atingiria em cheio instituições financeiras que têm créditos a receber das empresas. O dinheiro do MAE viria em socorro de empresas com dificuldades de caixa e compromissos a quitar nos próximos meses.
A Eletropaulo integraria esta lista. Entre as geradoras privadas, a Tractebel é a que tem mais a receber (R$ 700 milhões). A Chesf, por sua vez, tem um débito de R$ 900 milhões, seguida pela Eletronorte (R$ 300 milhões). Furnas, no entanto, tem crédito de R$ 450 milhões. Os números são expectativas de mercado, já que o MAE não divulga a fatura por empresa. Outro impasse com o não pagamento das faturas seria contábil. As empresas já contabilizaram nos balanços o que teriam a pagar e receber no MAE, e o cancelamento da liquidação obrigaria uma republicação das demonstrações contábeis.
Energia: empresas acumulam prejuízos (JB 15/11)
BRASÍLIA – O setor elétrico já acumula este ano um prejuízo de R$ 1,847 bilhão. A soma reúne o balanço do terceiro trimestre de cinco distribuidoras, uma geradora (Emae-SP) e uma transmissora (CTEE-SP). A única empresa, até agora, a apresentar balanço positivo foi a Eletrobrás, que teve um lucro de R$ 4,011 bilhões nos primeiros nove meses do ano. Apesar da crise do setor, a estatal apresentou um resultado melhor que em 2001, quando o lucro chegou a R$ 3,4 bilhões.
Ontem, seis empresas divulgaram seus balanços contábeis do terceiro trimestre. Nesse grupo, a Eletropaulo foi a que apresentou o pior resultado, um prejuízo de R$ 533,156 milhões. Este montante é 3.178% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. A empresa está com dificuldades de caixa devido à alta dívida em dólar. O aperto financeiro obrigou a maior distribuidora do país a adiar pagamentos e renegociar débitos.
No caso da Cerj, o prejuízo foi de R$ 335,818 milhões, 162,61% superior ao verificado em 2001 (R$ 127 milhões). De todo o resultado acumulado, a maior parte (R$ 280,5 milhões) foi registrado no último trimestre. O saldo negativo neste período foi 184% maior que o apurado na mesma época do ano passado.
Entre as principais distribuidoras do país, a Escelsa, do Espírito Santo, foi a que apresentou o pior resultado, com saldo negativo de R$ 658 milhões até setembro deste ano. O balanço da distribuidora do Espírito Santo não está incluído na lista dos que foram divulgados ontem.
As distribuidoras Celesc (SC) e Copel (PR) também tiveram resultados negativos, com prejuízos de R$ 91,815 milhões e R$ 48,943 milhões, respectivamente.
A geradora paulista Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) teve um saldo negativo de R$ 49,474 milhões. No mercado, a empresa seria uma das grandes devedoras no Mercado Atacadista de Energia. Em junho, o balanço das 10 maiores distribuidoras do país já demonstrava um prejuízo de R$ 1,3 bilhão.
Com Agência Folha