Falta do insumo deve tirar parte das usinas do cálculo da oferta disponível
Valor, do Rio
Depois de constatar a falta de gás natural em 11 usinas termelétricas em setembro, e que se repetiu em outubro, a Aneel determinou ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) que calcule mensalmente a disponibilidade de geração de energia das termelétricas. O objetivo é calcular, todo mês, o volume de energia que deixou de ser produzido pelas usinas por falta de gás natural e avaliar o impacto das restrições de suprimento de gás sobre o gerenciamento da energia produzida no Sistema Interligado Nacional. O SIN abrange as regiões Sul, Sudeste-Centro Oeste e Nordeste, ficando de fora apenas a região Norte, que é isolada do sistema de transmissão.
A resolução determina que o ONS deverá encaminhar a Aneel, até o dia 15 de cada mês, relatório com os valores relativos à disponibilidade das usinas. Com base nas constatações, a agência reguladora do setor pode retirar as térmicas do cálculo da energia disponível no sistema, feito pelo ONS, o que vai afetar a curva de aversão ao risco de racionamento.
Como o gás é um insumo mais barato, a saída das térmicas a gás vai resultar na geração de energia por usinas mais caras do que o gás (movidas a óleo combustível, carvão ou diesel). A conta irá, principalmente, para os grandes consumidores industriais. Atualmente, 25% da indústria compra energia no mercado livre. Cálculos da
Se forem aplicadas as regras propostas pela Aneel na minuta da resolução 231, o preço da energia vendida no atacado, ou mercado livre poderá aumentar exponencialmente. Isso porque vai provocar um aumento no chamado Custo Marginal de Operação (CMO), que é, na prática, o custo da água guardada nos reservatórios. Sem as térmicas a gás, a água terá que ter seu preço elevado.
Por sua vez, o CMO serve de base para o cálculo do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) no mercado livre, onde geradores e comercializadores vendem energia para consumidores finais. Esse mercado funciona à base de contratos bilaterais contabilizados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Esta semana, o CMO varia de R$ 23,44 por megawatt/hora (MW/h), no horário de menor consumo na região Nordeste, a R$ 68,99 no horário de maior consumo nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Sul. (CS)