Alerta da AIE



Vamos fazer as contas. Sem grandes modelos econométicos. Estamos em 2004. Até 2030 são 15 anos. O mercado de eletricidade brasileiro gira no entorno de 340 TWh. A tarifa média está no entorno de US$ 65/MWh. Sem impostos!!!! A Agência Internacional de Energia (AIE) acha que o consumo crescerá 3,2 % ao ano. Considerando esse crescimento e computando a receita gerada apenas pela tarifa ao nível atual(*), chega-se a conclusão que o setor é capaz de gerar US$ 1 trilhão até 2030. Ora, se for possível investir 10% desse total, já são US$ 100 bi dos US$ 330 bi que a agência estima serem necessários. O problema é saber:


1 – A remuneração sobre o investimento será utilizada no Brasil? 2 – As empresas estatais, tradicionais investidoras do setor, terão que fazer superávit primário dessa receita? Por Quanto tempo? 3 – Haverá financiamento para as empresas públicas ou só para o setor privado?


Esse é um ponto sobre o qual o ILUMINA têm se posicionado sempre. O setor elétrico brasileiro é um dos poucos setores de infra-estrutura que, corretamente administrado e sem desvios de receita, é capaz de financiar seu próprio crescimento. O alerta da agência no sentido de condicionar os investimentos à “nossa capacidade de promover as condições necessárias de estabilidade e clareza regulatória para o setor privado”, poderia ser dirigida aos nossos governantes, especialistas em dar tiros no próprio pé. Sem energia o país não cresce. Sem crescimento, adeus até superávit primário no futuro. É uma política suicida, pois arrisca até sua própria manutenção.


(*) Com todas as distorções criadas pelo modelo mercantil privatista. O setor residencial paga 40% acima da tarifa média e a tarifa dos geradores privados são invariavelmente superiores aos geradores públicos, podendo atingir o dobro. Resumindo, paga mais a população, recebem menos as empresas públicas.



Brasil precisa de US$ 500 bi em energia até 2030 – Valor 21/09/04


Cláudia Schüffner Do Rio



A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que o Brasil precisará de US$ 500 bilhões em investimentos no setor de energia, petróleo e gás para atender ao crescimento anual de 3,2% no consumo de energia projetado para o período de 2001 a 2030 e de 7% para a demanda de gás. Desse total, US$ 330 bilhões terão que ser investidos, segundo a AIE, em projetos de energia, especificamente para construção de novas plantas e ampliação dos sistemas de distribuição e transmissão. O restante terá que ser direcionado para os setores de petróleo e gás.



As projeções, feitas com base em modelos econométricos da AIE, foram apresentadas pelo chefe da divisão de países não-membros da AIE da Ásia e América Latina, Norio Ehara, que participou ontem de seminário “As reformas nos setores elétrico e de gás natural no Brasil” na Confederação Nacional do Comércio.



Pelos cálculos da agência, o Brasil teria que investir anualmente US$ 17,2 bilhões. Isso é quase o triplo do orçamento anual da Petrobras, maior investidora do país, que prevê uma média de US$ 6,6 bilhões por ano no Plano Estratégico 2004-2010, sem contar US$ 1,1 bilhão destinados à área internacional.



Atualmente, o Brasil é o maior consumidor de energia da América Latina, décimo maior do mundo e quarto maior se forem contabilizados apenas os países não membros da AIE, o que coloca o país atrás apenas da China, Rússia e Índia. Na palestra, Ehara lembrou que o Brasil foi o maior receptor de investimentos do mundo entre 1990 e 2001, no rastro da privatização, mas lembra que esse processo foi interrompido pela crise de energia.



“O crescimento dos futuros investimentos privados em energia no Brasil dependerá da capacidade dos mercados de eletricidade, petróleo e gás de promoverem as condições necessárias de estabilidade e confiabilidade”, disse Ehara, alertando que, se faltar clareza regulatória, poderá haver retração de investimentos.



Quanto aos aumentos do preço do petróleo ao longo desse ano, o executivo da AIE preferiu não estimar em que patamar os preços podem se estabilizar. “O mercado é um monstro que ninguém controla”, brincou. Ele observou que existem muitas variáveis influenciando preços, como a demanda da China e o crescimento dos países da OCDE, somados aos problemas políticos no Oriente Médio.

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