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Apagão ainda sem explicação
Publicado em 12.02.2011 no Caderno de Economia do Jornal do Commercio, Recife
Mistério para explicar o apagão que deixou sete Estados do Nordeste às escuras por mais de quatro horas, no último dia 4. Ontem, o Operador Nacional do Sistema (ONS) enviou ao Ministério de Minas e Energia (MME) uma versão preliminar do Relatório de Análise de Perturbação (RAP), documento que vai explicar porque na hora do blecaute foram desligadas (do sistema) seis linhas de transmissão, três hidrelétricas e também o motivo da demora no restabelecimento do serviço.
Agora, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) terá uma semana para se posicionar sobre as falhas apontadas no relatório preliminar do ONS, que opera todo o Sistema Interligado Nacional (SIN), determinando quem entra e distribui energia.
Depois que a Chesf apresentar as suas informações, o documento será concluído pelo ONS e enviado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que poderá até multar a Chesf, caso entenda que a empresa teve alguma responsabilidade pelo incidente. Na semana passada, Furnas recebeu uma multa de R$ 43 milhões devido ao apagão que ocorreu em novembro de 2009, quando 18 Estados ficaram sem energia.
A assessoria de imprensa da ONS informou que a instituição não se pronunciaria porque o documento era preliminar. Já a assessoria de imprensa do MME anunciou que o ONS era quem iria falar com a imprensa. E o presidente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), Dilton da Conti, que estava em Brasília ontem, não atendeu ao telefonema da reportagem do JC.
Como não vieram as versões oficiais para explicar o apagão, a organização não governamental Ilumina Nordeste divulgou um texto no seu site alegando que ele ocorreu – e demorou – porque aconteceu algo errado na religação do sistema e esta falha foi desligando mais cinco linhas de transmissão, inclusive as que traziam energia de outras regiões, além das três hidrelétricas da Chesf. A interpretação foi feita baseada em informações do próprio ONS. Até agora, a única explicação dada pelo governo foi que ocorreu uma falha num sistema de proteção da subestação de Luiz Gonzaga, na pernambucana Jatobá, a 425 km do Recife.
“O ONS e a Chesf dispõem de muitos elementos para identificar tudo que ocorreu”, disse o diretor do Ilumina Nordeste, Antonio Feijó. O sistema elétrico é todo automatizado e tudo fica registrado online. “A demora na religação foi uma falha grave”, argumentou Feijó.
Ainda no setor elétrico, há um consenso entre os técnicos que a presidente Dilma Rousseff está só esperando as explicações sobre o apagão para substituir a atual diretoria da Chesf, que passou os oito anos do governo Lula no poder. Ela já alterou o comando da Eletrobras, de Furnas e a próxima deve ser a Chesf.