Apagões partidários

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Apagões aumentam com o PMDB
Publicado em 13.02.2011 no Caderno de Economia do Jornal do Commercio, Recife

Dados do ONS apontam crescimento no número de blecautes no País. Setor elétrico é comandado pelo senador José Sarney através do ministro Lobão

Os últimos apagões, no Nordeste e em São Paulo, não são um fato isolado como tenta mostrar o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB). De acordo com números do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), aumentou a quantidade de desligamentos de energia elétrica considerados “severos” no País. Foram 91 ocorrências no ano passado contra as 77 registradas em 2009. São enquadradas nesse tipo de ocorrência os desligamentos que envolvem uma carga acima de 100 megawatts (MW), o que corresponde a uma cidade do porte de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, que tem uma população estimada em 795 mil pessoas. Durante o segundo governo Lula e agora, no governo Dilma Rousseff, o setor elétrico nacional foi comandado pelo PMDB do senador José Sarney.

Os desligamentos severos representaram 3,4% das 2.670 interrupções do serviço que ocorreram no ano passado, enquanto no ano anterior foram 3,2% dos 2.442 cortes registrados no fornecimento de energia elétrica.

Na avaliação feita pelo ONS, os números dos últimos dois anos são compatíveis com a média histórica anual que é de 3,3% desde 2001. Naquele ano, aconteceram 53 desligamentos considerados severos dentre os 1.492 cortes no serviço de energia elétrica. Mas o crescimento preocupa. “O aumento dos números de desligamentos é um sinal de que são necessárias melhorias no sistema elétrico brasileiro”, afirmou o diretor do Instituto Ilumina Nordeste, Antonio Feijó, acrescentando que devem ser verificadas a organização das empresas para fazer a manutenção, se a operação está adequada, entre outros fatores.

“É uma brincadeira dizer que o sistema elétrico brasileiro é robusto e moderno, quando todos os prédios grandes têm gerador para escapar das interrupções que ocorrem com frequência”, disse o especialista em infraestrutura do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires. Ele estava se referindo as declarações do ministro Edison Lobão depois de um apagão que deixou sete Estados do Nordeste sem energia por mais de quatro horas, no último dia 4. Na terça-feira passada, um apagão também deixou São Paulo às escuras.

Para Pires, o maior problema é que o setor elétrico brasileiro não está acompanhando o crescimento da demanda por energia. “A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também não fiscaliza o serviço direito e os apagões recentes demonstram a fragilidade do sistema elétrico brasileiro”, acrescentou.

No País, os últimos grandes apagões (o do Nordeste, o de 2009 e o da semana passada em São Paulo) ocorreram com o PMDB à frente do Ministério de Minas e Energia. O atual ministro Edison Lobão é ligado ao PMDB de Sarney e também exercia o mesmo cargo em novembro de 2009, quando uma interrupção do serviço deixou 18 Estados sem energia. Técnicos do setor, que preferiram não se identificar, acreditam que os apagões (do Nordeste e o que ocorreu em São Paulo na última terça-feira) podem ser o motivo ideal para a presidente Dilma Rousseff, ex-ministra de Minas e Energia e conhecedora da área, diminuir o poder do PMDB nos cargos chaves do MME e colocar gestores mais técnicos e qualificados.

De 2008 para cá, os ministros do PMDB também contribuíram para o esvaziamento da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) que teve os seus estatutos alterados naquele ano, o que resultou no surgimento de um limite do poder de decisão da empresa sobre os investimentos locais.

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