NOVILINGUA DE ENGENHEIROS
Tem sido bem-vinda a crescente conscientização da sociedade para a impenetrável linguagem usada pelos personagens do sistema judiciário brasileiro. Não se pretende que o público seja treinado em entendê-la. O que precisa ficar claro para a corporação dos que se julgam intocáveis é que essa novilingua precisa ser extinta.
Mas, repentinamente, os engenheiros caem em si e notam que são capazes de terriveis novilinguas técnicas com escassa probabilidade de ser entendida pelo público consumidor. Há vinte anos no Linha Direta, jornal interno de Furnas, foi publicado um artigo sobre esse tópico. Nessa mesma página eletrônica, em 1998 , reiterou-se a crítica e tentou-se a experiência verbal de fazer o leigo entender um dos grandes “mistérios” da engenharia elétrica: o que é energia e potência reativa nos sistemas de corrente alternada.
A propósito dos riscos no suprimento de energia elétrica para as diversas regiões do país, manifestam-se em direções opostas o Operador Nacional do Sistema (ONS) e a nova e bem vinda Empresa de Pesquisa Energética (EPE), essa última em cujo nome a letra P deveria significar Planejamento. Pior,osdirigentes usam a novilingua quecontinuam a pensar que deveria ser entendida por todos.
Cada cidadão, para controlaros órgãos,entidades e empresasdo setor energético, em particular do setor elétrico, através de instrumentos e mecanismos não burocráticos e autônomos de representação coletiva, não precisaria entender profundamente a ciência eletro-magnética. Nem desejam se aprofundar nessa ciência. É perfeitamente possivel que os profissionais do setor deixem de se comunicar em novilingua. Parece cada vez maisdifícil que se conscientizem dessa necessidade.
Olavo Cabral Ramos Filho