Avaliação do leilão feita pelo governo


Leilão A-5: transição de modelos começa a chegar ao fim, avalia governo
Com carga negociada de 1.104 MW médios, licitação viabilizará construção de cinco hidrelétricas e nove térmicas


Fábio Couto, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Expansão
10/10/2006



O leilão de energia nova A-5, que aconteceu nesta terça-feira, 10 de outubro, permitiu a contratação de toda a demanda das distribuidoras até 2011, e movimentou R$ R$ 27,7 bilhões. Realizado pela segunda vez pela internet, ao contrário dos demais certames, que exigiram isolamento total, a licitação viabilizará a construção de cinco hidrelétricas e nove térmicas, com carga negociada de 1.104 MW médios. Para o governo, a transição na comercialização começa a chegar ao fim.


Na avaliação do ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, o negócio foi considerado satisfatório, já que, pelo lado da oferta, as empresas estão contratadas com antecedência, permitindo que o comitê de monitoramento possa atuar em caso de imprevistos no cronograma.


O preço médio do leilão ficou em R$ 128,90 por MWh, sendo R$ 120,86 por MWh para hidrelétricas e R$ 137,44 por MWh para termelétricas. Para o ministro, a demanda não contratada de 0,4% dos 1.243 MW previstos pelas distribuidoras pode ser considerada irrisória, uma vez que o percentual equivale a 139 MW médios. Os dados do leilão mostram, por exemplo, que as campeãs de contratação foram as distribuidoras AES Eletropaulo (SP, 31,495 milhões de MWh), a Copel Distribuição (PR, 22,294 milhões de MWh) e a Light (RJ, 19,039 milhões de MWh).


Além disso, observa Rondeau, 52% da demanda foi atendida por energia hídrica, enquanto os 48% restantes foram completados com térmicas. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Mauricio Tolmasquim, salienta que 75% da energia negociada vem de fontes renováveis: hidrelétricas, PCHs, biomassa e gás de processo, através da cogeração. “É algo que beneficia a eficiência energética”, afirma.


O leilão, cercado por temores de que teria apenas uma nova outorga arrematada, teve início quase duas horas após o horário planejado. Entre as razões para os atrasos esteve a cassação das liminares que impediriam a oferta de Mauá (PR, 388 MW) e Dardanelos (MT, 261 MW). No entanto, as usinas ameaçadas foram arrematadas, ao passo que Cambuci e Barra do Pomba não atraíram investidores.


Mauá foi arrematada pelo consórcio Energético Cruzeiro do Sul, formado por Copel Geração (51%) e Eletrosul (49%), após disputar preço com a Energias do Brasil; enquanto o consórcio Aripuanã, composto por Neoenergia (46%), Eletronorte (24,5%), Chesf (24,5%) e Construtora Norberto Odebrecht (5%), levou Dardanelos.


No entanto, o leilão dividiu opiniões entre os principais players do setor. Para a Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústria de Base, o leilão não atingiu os objetivos traçados: garantir a modicidade tarifária, atrair novos investimentos e garantir a segurança no abastecimento com antecedência.


A Abdib aponta a negociação de 569 MW médios de energia hidrelétrica (com preço médio de R$ 112,57 por MWh) e 535 MW médios de energia térmica (com preço médio de R$ 137,44 por MWh) como um dos exemplos da baixa atratividade. O leilão negociou 1.104 MW médios, enquanto a necessidade de aumento da capacidade de geração precisa situar-se na faixa entre 3.500 MW e 4.000 MW po ano.


Já o presidente da Suez Energy, Maurício Bähr, considerou bem-sucedida a atuação da empresa na licitação, ao conseguir contratar 148 MW médios de São Salador (TO, 241 MW). O executivo considera que o empreendimento resultará em investimentos da ordem de R$ 800 milhões. Segundo o executivo, a próxima meta é iniciar aconstrução deEstreito (TO/MA, 1.087 MW). “Estamos confiantes de conseguir negociar a usina no próximo ano, mas esperamos que o preço marginal do leilão seja suficiente para viabilizar uma obra desse porte”, conclui Bähr.


Para essa usina, diz Tolmasquim, ainda há duas oportunidades de negociação para o mercado regulado: o governo estuda realizar dois leilões de energia no primeiro semestre de 2007. Um deles será na modalidade A-3, enquanto o segundo será na modalidade A-5.

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