Aversão aos riscos de “La Niña”

Chove pouco e cenário energético se complica



Daniel Rittner e Bettina Barros, de Brasília e São Paulo, Valor







O fenômeno climático “La Niña” reduziu a intensidade das chuvas no último trimestre do ano passado e esvaziou os reservatórios das hidrelétricas, que começam o mês de janeiro no nível mais baixo para esse período desde 2004 – com exceção das represas situadas na região Sul. Além da estiagem prolongada, que se estendeu por outubro e novembro, o regime hidrológico voltou a decepcionar em dezembro – choveu só 73% da média histórica no Centro-Oeste e Sudeste, 49% no Norte e 45% no Nordeste. Para o primeiro trimestre de 2008, segundo previsões do Instituto Nacional de Meteorologia, as precipitações devem ficar novamente abaixo da média em boa parte de Minas Gerais e na Bahia.







A situação ainda não é dramática. Mas, para analistas do setor elétrico, se o regime de chuvas não se normalizar, os reservatórios podem cair a níveis perigosamente baixos durante o próximo período seco e exigir um uso mais intenso das usinas térmicas, a partir de abril. E aí surgem mais uma vez os temores de que não haja gás natural para todo mundo – termelétricas, indústrias, residências e frota de veículos. “Estamos na ante-sala da crise”, diz Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura e da UFRJ.






Em dezembro, gerou controvérsia a discussão sobre a “curva de aversão ao risco” válida para o biênio 2008-2009. Esse mecanismo define o nível mínimo de armazenamento de água necessário para a operação do sistema elétrico com plena segurança e sem sobressaltos. Inicialmente, o Operador Nacional do Sistema Elétrico havia proposto a exigência de um nível mínimo de 61% para a operação dos reservatórios no Centro-Oeste/Sudeste em janeiro. O índice estava longe de ser atingido, o que obrigaria o sistema a ligar todas as usinas termelétricas enquanto se recuperaria o nível das represas, e o ONS mudou a proposta para armazenamento mínimo de 36%. Os planos do ONS foram aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e evitaram o acionamento imediato das térmicas, o que suscitava preocupação com o fornecimento de gás natural.






Até março, o clima brasileiro sofrerá influência da La Niña. O fenômeno, que ocorreu no Brasil pela última vez em 2001, caracteriza-se pelo resfriamento das águas na faixa equatorial do Oceano Pacífico, o que leva a mudanças no regime de chuvas do país.

Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *