Cartas e Opiniões. Belo Monte

Área: Cartas e Opiniões
Mensagem: BELO MONTE, QUESTÕES A SEREM ANALISADAS…

Há muito tempo, contestando algumas informações do físico Dr. Luiz Pinguelli Rosa, escrevi ao Fórum do jornal “O Estado de São Paulo”, quando esse senhor defendia a construção da Usina de Belo Monte. Considerava, levando em conta o conhecimento acumulado ao longo de trinta e quatro anos trabalhando em construção de hidrelétricas e auxiliado pelo ambiente técnico da área composto por experientes engenheiros e técnicos, que não se poderia, conforme a proposta, sob qualquer alegação, buscar financiamentos separados para a geração e para a linha de transmissão, sob o risco de termos uma etapa concluída e outra a espera de dinheiro. Contestava também a proposta de se colocar, sem licitação, para elaboração do EIA/RIMA uma Universidade Brasileira, considerando as exigências, não só dos órgãos licenciadores do país, como principalmente as referências exigidas pelos organismos financiadores que certamente apresentariam resistência ao Estudo e finalmente, a condição do projeto, onde se pretende instalar uma capacidade geradora de onze milhões de quilowatts, com uma geração média de apenas quatro e meio milhões de quilowatts. Vi, na entrevista, após a reeleição, o Senhor Presidente falando sobre Belo Monte e fiquei assustado. Energia é uma coisa extremamente necessária, é pilar de desenvolvimento, o Brasil tem que vencer o radicalismo, a falta de conhecimento e o oportunismo de vários organismos ambientais e do poder para fazer valer a dinâmica, a compreensão e a condição de um desenvolvimento sustentado e dar atenção especial a vários projetos hidrelétricos, muitos, parados há dezenas de anos na incompetência do poder, mas também sem passar por cima de necessidades imperiosas como muitos pretendem. Todos os projetos têm que passar por um estudo sistemático para rever em princípio a tendência de supermotorização que a grande maioria dos projetos apresentam e finalmente, a relação custo-benefício, consideradas as perdas ambientais e demais condições. Estou convicto de que, na busca de crescimento, poderemos contar com o empenho do governo no trabalho de licenciar vários empreendimentos até porque temos alternativas interessantes que podem garantir reserva potencial expressiva, mesmo no sistema atual, sem grandes investimentos. Meus votos são para que consigam, usando de uma política justa, o desenvolvimento do sistema elétrico do País, mas que seja através de projetos que possam representar, desenvolvimento de uma região, aliado à justificativas técnicas verdadeiras e soluções ambientais adequadas. Osterno Antônio de Souza,Eletricitário osternoo@brturbo.com.br

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