CHESF, sem autonomia, reforça caixa da ELetrobras

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Chesf reforça o lucro da Eletrobras
Publicado em 25.08.2010 no Caderno de Economia do Jornal do Commercio, Recife

Empresa segue sem autonomia, mas é responsável por quase metade do lucro de sua holding. Promessa de Lula e Eduardo ainda não foi cumprida

A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) foi responsável por aproximadamente 45% do lucro da Eletrobras no primeiro semestre deste ano. A Eletrobras registrou um resultado positivo de R$ 1,73 bilhão no período. A estatal regional, por sua vez, lucrou R$ 777,2 milhões. Além da Chesf, a Eletrobras controla outras 15 empresas, entre elas gigantes como Furnas, que opera no Sudeste.

Considerada a joia da coroa do sistema elétrico brasileiro, a Chesf perdeu sua autonomia operacional nos últimos dois anos. Comandada politicamente pelo PMDB de José Sarney e Edison Lobão, a Eletrobras ampliou seu poder sobre a empresa nordestina, hoje considerada apenas uma espécie de escritório da sua holding, que fica no Rio de Janeiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Eduardo Campos prometeram devolver a força da Chesf. Mas até agora, nada foi feito.

O vice-presidente da Eletrobras, Ubirajara Rocha Meira, veio ao Recife há cerca de três meses, prometeu que atenderia à determinação de Lula, mas, pelo menos por enquanto, tudo ficou no terreno das promessas. O PMDB, que controla a Eletrobras e agora a Chesf, é o partido de Michel Temer, candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Dilma Rousseff (PT), apoiada por Lula e Eduardo Campos.

Os dados financeiros das duas empresas comprovam a importância econômica e política da Chesf. Para se ter uma ideia do resultados das outras grandes empresas da Eletrobras, Furnas lucrou R$ 235,9 milhões, Eletrosul, R$ 97,3 milhões e Eletronorte, R$ 187 milhões. Portanto, somados os lucros, não superam o da companhia nordestina. “Esses números mostram o quanto a Chesf é importante dentro do sistema Eletrobras e não pode perder a sua autonomia para continuar trabalhando pela região”, argumenta o diretor do Instituto Ilumina Nordeste, Antonio Feijó. Formada por técnicos do setor elétrico e por professores universitários, a ONG Ilumina atua em questões que envolvem energia, fazendo análises críticas e estudos sobre o tema.

A perda de autonomia ocorreu porque a Eletrobras alterou os estatutos da companhia regional em 2008. Foi estabelecido o limite de 0,5% do capital social da empresa (cerca de R$ 78 milhões) para as tomadas de decisões locais sobre as operações de empréstimos, garantias a financiamentos, contratos de obras, fiscalização e compras. Isso engessou a atuação da Chesf, porque qualquer projeto de energia gera um investimento superior aos R$ 78 milhões.

A autonomia da empresa só será devolvida, quando for alterado seus estatutos. Foi isso que Ubirajara, em 26 de maio passado, disse que seria feito num prazo de um mês e meio. Três meses se passaram, a Chesf segue sem autonomia, mas ajudando – e muito – o balanço da estatal comandada pelo PMDB nacional.

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