— Há casos de regiões em que não podemos oferecer energia para não estressaros vagalumes — queixa-se Vasconcelos.
Ibama não autorizou leilão de grande porte
O presidente da Eletrobrás não esconde a indignação ao comentar que, no primeiro leilão de energia nova, realizado no dia 16 de dezembro, o governo federal não conseguiu oferecer dez novas usinas hidrelétricas, por não ter conseguido a tempo as licenças ambientais. A usina hidrelétrica de Ipueiras, no Tocantins, com 480 megawatts (MW) de capacidade, não foi a leilão, porque o Ibama não deu licença: a construção prejudicaria os peixes:
— Ipueiras foi uma tristeza. O Ibama é um órgão federal, demos todas as explicações possíveis, mas a obra não foi liberada.
Vasconcelos afirma que é necessário compatibilizar meio ambiente com desenvolvimento sustentável.
— Nós entramos nesse processo com realismo. O país precisa de energia, e eles estão entrando nesse processo com radicalismo — frisou o presidente da Eletrobrás.
Vasconcelos também dá como o exemplo problemas enfrentados com uma obra na Restinga de Marambaia, Zona Oeste do Rio. Segundo o executivo, os ambientalistas mais uma vez não autorizaram a construção de uma usina por causa do impacto que o projeto poderia causar nas cobras que vivem na região.
Os consumidores, segundo o presidente da Eletrobrás, são os mais prejudicados, porque vão pagar, no futuro, pela energia termelétrica, mais cara do que a hidrelétrica. No leilão, sem poder contar com várias hidrelétricas, cerca de 60% dos projetos arrematados com potência total de 3.280 MW, são de termelétricas.
O presidente da estatal ressaltou ainda que os projetos térmicos têm tarifas cerca de 15% mais caras do que as de hidrelétricas. No leilão, o preço médio das tarifas das hidrelétricas ficou entre R$ 110 e R$ 114 o megawatt/hora. Já os projetos térmicos tiveram um preço de tarifa fixado em torno de R$ 130 o MW/h.
— As usinas hidráulicas são muito mais baratas e beneficiariam o consumidor. (R.O.rdoñez. OGLOBO)
Comentário
A observação irônicado presidente da Eletrobrás só faz demonstrar que êle não compreende bem o que seja meio-ambiente e ecologia. Seria desejável que ele defendesse a construção de hidrelétricas com argumentos mais sólidos que levem em conta todos os aspectos envolvidos, sejam técnicos, humanos, sócio-econômicos ou ambientais.
N.R-Publicamos abaixo o email de um leitor desta página:
” Se o presidente da Eletrobrás conseguisse aprofundar-se um pouco mais sobre o sistema elétrico do país, sua história e vocações, teria tido mais cuidado com seus comentários . Não diríamos que as suasironias não possam ser qualificadas de parábolas . Mas foram parábolas chinfrins. Vamos sugerir um comentário mais sólido: O país tem uma nítida vocação hidrelétrica. Comecemos, um tanto acacianamente, por afirmar que os investimentos eos custos operacioniasem usinas hidrelétricas serão sempre, para a maioria delas, inferiores aos de usinas térmicas seja que combustível usarem, mesmo se computados todos os investimentos em mitigações ambientais e sociais para a eternidade da vida das usinas. Certamente existirão casosnos quaissólidas restrições ambientais e sociais inviabilizem a hidrelétrica. Em quantos casos e em quantos megawatts instalados ou médios isso aconteceria ?
Enfim, é hora e vez da EPE começar a divulgar seus estudos em andamento para a próxima revisão do Plano Plurianual do Setor, mostrando comparações econômicas entre as hidrelétricas prentendidas- com todas suas mitigações socias e ambientais computadas, mesmocomo estimativas preliminares para aquelas mais remotas cronologicamente na lista- ea série de possíveistermelétricas.
Quase iamos esquecendo.A possibilidade doarmanezamento de fartas reservas de agua doce nos próximos séculosé vantagem estratégicado Brasil. Ou não seria ? “