Consumo de energia elétrica cresce mais que o PIB
Rio, 11 – O consumo de energia elétrica no país está crescendo mais do que o PIB. De acordo com o economista Armando Franco, da consultoria Tendências, com base em dados da Eletrobrás, de janeiro a setembro o consumo de energia teve um aumento de 4,7%, enquanto o PIB apresentou uma expansão acumulada de 3,84% no mesmo período. A expansão do consumo de energia foi puxada principalmente pelo setor comercial, especialmente os shopping centers e as lojas de conveniência, do tipo 24 horas, que registraram um crescimento de 7,8%. No setor industrial, nos três primeiros trimestres de 2000, o aumento no consumo de energia foi de 6,3%, bem próximo da expansão da produção física da indústria nacional, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) de 6,5%. "O consumo doméstico mostrou um crescimento de 2,1% de janeiro a setembro do ano passado. Isso pode ser explicado, provavelmente, pelo reajuste das tarifas muito acima de qualquer correção salarial", disse Armando Franco. De acordo com o estudo, o consumo médio por residência caiu de 178 quilowatts/mês, de janeiro a setembro de 1999 para 174 quilowatts/ mês. "As pessoas estão mais preocupadas em economizar seus gastos com energia elétrica. Os consumidores estão desligando os interruptores e os aparelhos eletroeletrônicos", explica o economista da Tendências.
Escassez – Com esse aumento de consumo, acima da expansão do PIB poderá acabar se refletindo na possível escassez de energia em 2002, alerta Armando Franco. "Este ano não vejo maiores dramas. Mas em 2002, poderá haver escassez", diz Franco. O economista da Tendências avalia que o governo está diante de um impasse: as distribuidoras privatizadas puderam cobrar as tarifas reajustadas pelo IGP-M, além do repasse de custo, e estão muito mais interessadas em se capitalizar até 2003 quando esse esquema será alterado para o mercado livre do que fazer investimentos. "O drama é que não se consegue gerar energia da noite para o dia. E esses investimentos, quando forem feitos, poderá ser tarde", avalia Franco. A solução, calcula o economista, será apostar em outras duas hipóteses. Ou o Estado reassume o papel de investidor, como tem feito nas usinas a gás; ou os investidores privados participam da cogeração, como têm feito siderúrgicas, indústrias de alumínio e papel e celulose. "Ninguém quer correr o risco de ficar sem energia", lembra o economista da Tendências. Fonte: OESP (Sônia Araripe)
No Brasil, ao contrário do que acontece nos países desenvolvidos, o consumo de energia elétrica sempre cresceu acima do PIB. O analista ao lado, parece querer culpar o aumento do consumo por uma possível escassez de energia em 2002. É a prova de que uma das obras desse governo foi a destruição total da capacidade de planejar. Como se pode ignorar esse fato histórico? No gráfico abaixo a curva abóbora (% de cresc da energia) esteve sempre acima da curva azul (% cresc do PIB).
PIB x Energia Elétrica
Se o consumo por consumidor vai cair, como prevê o analista da consultoria Tendências, estaremos caminhando para a africanização da nossa população. Quem quiser conferir quanto consome um domicílio brasileiro em média, é só clicar abaixo:
Vai diminuir mais ainda?
Energia deve subir 10% acima da inflaçãoSão Paulo, 11 – A energia elétrica deverá aumentar até 10% acima da inflação para os consumidores residenciais até 2005, segundo a Folha apurou. O aumento acontecerá porque os preços cobrados pelas geradoras de energia estão defasados e irão subir assim que os contratos com as distribuidoras começarem a ser renovados, a partir de 2003. A meta de inflação do governo para este ano é de 4% e, para 2002, de 3,5%, medidas pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). De acordo com avaliação feita por um técnico do setor, o governo precisava fazer caixa quando iniciou o processo de privatização das distribuidoras de energia elétrica, em 1995. Por isso, congelou o preço da energia vendida pelas geradoras (controladas pelo Tesouro Nacional) e permitiu que as distribuidoras reajustassem o preço de suas tarifas usando o IGP-M. Dessa forma, tornou as distribuidoras ativos mais atraentes para venda em leilão. De acordo com essa avaliação técnica, quando as geradoras estatais (Furnas, Chesf e Eletronorte) forem privatizadas e terminarem os contratos com as distribuidoras com preço fixado pelo governo (contratos inicias ou PPA, "Power Purchase Agreement) elas precisarão reajustar o preço da energia vendida para as distribuidoras para fazer novos investimentos e ampliar a capacidade de geração. O governo, no entanto, tem estratégias para combater o aumento do preço da energia. Uma delas é aumentar a capacidade de geração de energia, segurando o preço com uma oferta maior do produto. Para isso, no entanto, é preciso que o programa emergencial de termelétricas deslanche. Outra arma do governo é a revisão tarifária das distribuidoras de energia. A partir de 2003, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) irá estabelecer um redutor (Fator X) para o IGP-M, que serve para reajustar aproximadamente 50% da tarifa cobrada pelas distribuidoras. O governo poderá também segurar os custos com transmissão. A remuneração pelo uso das linhas é definida pelo governo e deverá ficar com preços reduzidos para não pressionar ainda mais os custos. Fonte: Folha de S.Paulo (HUMBERTO MEDINA)