Desvendando o mistério: haverá ou não apagão no Sul durante a Copa?


SE A ‘PAJELANÇA’ NÃO FUNCIONA, O NEGÓCIO É TOMAR PENICILINA DA FARMÁCIA DO ‘HOMEM BRANCO’, DIZ O PAGÉ AO CACIQUE QUE ESTÁ COM A PERNA INFLAMADA…



Conta a estória sobre uma tribo indígena da Amazônia que, um dia, o Cacique ao sair para caçar na floresta, se machucou na perna, que começou a ficar muito inflamada. Recorreu então ao Pajé da tribo que receitou um remédio ‘infalível’: passar a água do rio três vezes em noite de lua cheia, depois do canto noturno do Uirapuru. O Cacique seguiu à risca o tratamento e a inflação só piorou… Então o Pajé receitou um tratamento mais radical: passar o pelo da onça pintada, caçada logo após o sol nascer. O cacique seguiu o tratamento, conforme ministrado pelo Pajé, e a inflamação piorou ainda mais. Voltando ao Pajé para reclamar, quase sem poder mais andar, ouviu do mesmo que, neste caso, só a penicilina do homem branco resolveria o caso, então…



Complementamos aqui o artigo anteriormente publicado no ‘web-site’ do Ilumina (abaixo reproduzido) sobre a Crise Energética no Sul do Brasil, que insiste em anunciar sua presença (e que é solenemente ignorada pelo ONS e EPE).



Não podemos deixar escapar a oportunidade de apontar, mais uma vez, a importância de se fazer ‘Planejamento Energético’ no setor elétrico do Brasil, que é um país essencialmente de base hidrelétrica em seu sistema elétrico de potência, levando em conta que: a) usinas hidrelétricas levam um longo tempo de maturação desde a etapa inicial do levantamento do potencial hidráulico até a entrada em operação do investimento (cerca de 10 anos); b) investimentos em hidrelétricas são ‘capital-intensivos’ (exigem grandes somas de investimento); c) os tempos de retorno do investimento são de longo prazo (muitos anos); d) o mercado consumidor tem incertezas intrínsecas (dependência do mercado consumidor em relação ao vigor da economia do país, das exportações, da renda das famílias, dos programas de inclusão social, etc).



Isto torna importantíssimo e estratégico do ponto de vista de planejamento trabalhar-se com uma ‘folga de geração’ no parque gerador brasileiro (para atender estas variáveis todas que não são controláveis pelos planejadores). E esta folga de geração (como um lastro estratégico, ou um seguro) tem que ser de hidrelétricas, para não aumentar a dependência externa do país em relação a insumos energéticos.



Mas parece que a EPE, que deveria ser a primeira a saber disso, não está ligando para o assunto. E como o pajé da história, está contando com a chuva (convocada a cair no Sul pela pajelança dos especialistas de plantão), chuva esta que, como afirmam alguns candidatos a trabalharem na ‘Fundação Cacique Cobra Coral’, irá cair na região Sul – com certeza! – nas próximas 48 horas…



Enquanto isso o tempo segue bom, firme, seco e os reservatórios lá no Sul esvaziando… O que acham de ter que ser anunciado pelo ONS, ao longo do mês de junho, um lindo racionamento no Sul do país em plena Copa do Mundo de Futebol !??



Como na estória do Cacique e do Pajé, cremos que é melhor deixar de lado as ‘pajelanças’ com o sistema elétrico e passar a fazer o trabalho certo, antes que seja tarde demais…E trabalho certo, no caso, entenda-se como planejar, licitar e construir as hidrelétricas de que o país vai precisar, antes que o balanço oferta versus demanda determine um montante tal de geração e que não haja mais de onde tirá-la para seu suprimento a tempo. Já deveríamos ter aprendido esta lição no racionamento de 2001…



Capacidade armazenada na região Sul atinge 29,25%
Nos demais submercados, nível dos reservatórios está acima dos 80%



Agência CanalEnergia,


A região Sul opera com 29,25% da capacidade armazenada, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico relativos ao dia 6 de junho. Nas demais regiões, o nível de armazenamento varia de 83,7% a 98,72%. Veja abaixo a situação de cada submercado:


Submercado Sul – Reservatórios operam com 29,25% da capacidade armazenada, uma queda de 0,34% em comparação com o dia anterior, 5 de junho. A hidrelétrica de Machadinho registra 22,34% de volume armazenado.


Submercado Sudeste/Centro-Oeste – Nível de armazenamento no submercado atinge 83,70%, com uma pequena queda de 0,17%. O índice está 24,70% acima da curva de aversão ao risco. As usinas de Itumbiara e de Nova Ponte operam com 95,97% e 99,25%, respectivamente.


Submercado Nordeste – Volume armazenado na região caiu 0,22%, atingindo 94,71%. O nível está 49,31% acima da curva de aversão ao risco. Reservatório de Sobradinho atinge 95,80%.


Submercado Norte – Reservatórios da região operam com 98,72%, um aumento de 0,31%. A hidrelétrica de Tucuruí registra 100% da capacidade armazenada.








NESTE CHARCO CHAMADO BRASIL, ESTAMOS ‘ATOLADOS NA LAMA’ ATÉ A ALTURA DO NARIZ…; SE FIZER ‘MAROLA’ VAMOS MORRER AFOGADOS (‘AFOGADOS’, SÓ NA METÁFORA, POIS NA VERDADE ESTÁ, SIM, FALTANDO ÁGUA PARA GERAR ENERGIA)…




Pelo artigo do web-site do Ilumina apresentado a seguir, verifica-se que finalmente saiu a licença de instalação da hidrelétrica de Estreito, no rio Tocantins. O atraso na execução da obra da UHE Estreito já dura mais de três anos. Os atuais donos da concessão conquistaram-na ainda na época do FHC… Ou seja, de lá para cá, ficamos mais de 3 anos sem licença de instalação para construir o empreendimento. Mas como a obra é na fronteira da região Centro Oeste com as regiões Norte e Nordeste, onde os reservatórios de acumulação das usinas existentes estão cheios, os efeitos desta inépcia não se fizeram sentir ainda (talvez venhamos a nos lamentar lá para 2.009 ou 2.010)…



É o caso agora de nos lamentarmos por ainda não termos feito as usinas hidrelétricas de Campos Novos, Barra Grande e Foz do Chapecó na região Sul. As duas primeiras estão em vias de entrar em operação e a terceira ainda nem teve as obras iniciadas. Como consequência, temos agora um quase racionamento na região Sul.



Se não chover bastante nas cabeceiras dos principais rios que cortam os estados da região Sul (rios Iguaçu, Uruguai e Jacuí) nos próximos 15 dias, será muito provável termos que começar a racionar energia nos estados do Sul, pois o Sistema Interligado Nacional (SIN) já vem operando no limite da capacidade de transferência de energia do Sudeste para o Sul há algum tempo. Os reservatórios do Sul, que em comparação com o Sudeste têm uma capacidade de acumulação muito inferior, encontram-se agora com apenas 30% da sua capacidade máxima de acumulação d’água, e a situação segue piorando a cada dia para se atender a demanda da região. No Sudeste este índice está confortavelmente em torno de 90%. E como lá no Sul, da mesma forma que no Sudeste, não há gás nem para a térmica de Uruguaiana funcionar (está totalmente parada, mesmo numa situação crítica como a que estamos vivendo), e também nem para importarmos energia elétrica da Argentina via a subestação conversora de Garabi, novamente vamos voltar a conviver com o fantasma de racionamento de energia elétrica no país.



Pouca gente ficou sabendo, mas, no ano passado, mais ou menos nesta mesma época, também houve iminência de termos que conviver com racionamento de energia elétrica no Sul. Entretanto, São Pedro foi muito ‘camarada’ e brindou os dirigentes do setor eletrico brasileiro com chuvas providenciais, permitindo normalizar o nível dos reservatórios do Sul em 2.005, quando os mesmos se encontravam mais ou menos na situação atual, porém atendendo a um consumo menor do que o de hoje.



Desnecessário dizer que este contexto de racionamento iminente de energia elétrica na região Sul, se realmente vier a ocorrer, se configurará em desastre do ponto de vista político para o governo Lula.



A outra notícia publicada no web-site do Ilumina (e também reproduzida abaixo) trata do próximo leilão chamado A-5, ou seja, para licitar novas hidrelétricas que entrarão em operação daqui a 5 anos. Só que temos a seguinte situação: não são novas as hidrelétricas que deverão ir a leilão em setembro próximo, neste caso. Na verdade é uma ‘liquidação de saldos’ do último leilão A-5, realizado em dezembro passado, quando estas usinas não puderam ser ofertadas pois havia pendências de licenciamento ambiental para todas elas. Agora, com estas pendências atendidas, vão ser colocadas em oferta para ver se haverá investidores interessados em construí-las, 10 meses depois da época em que isto deveria ter sido feito. E, mesmo assim, são usinas consideradas pequenas, quase PCH, pois as maiores a serem licitadas (Mauá e Dadanelos) tem potência instalada da ordem de 300 MW.



É por estas constatações que ficamos refletindo: ou os dirigentes da EPE não estão levando muito a sério as previsões de dificuldades de atender à demanda a partir de 2.009/2.010, pois parece que não estão se empenhando como deveriam para alertar para este risco, ou estão confiando muito na boa vontade de São Pedro nos próximos anos…



Será que o problema que está sendo vivenciado pela região Sul no presente momento não está servindo de alerta??



Não é melhor ficarmos em uma situação mais confortável, do ponto de vista da oferta de energia para atender o consumo (na nossa metáfora do título, ficarmos no charco com a lama até as canelas apenas, e não até o nariz)??



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