Introdução Discute-se muito hoje a divergência entre os Ministros Palocci e Dilma. Um quer manter o superavitalto que está sendo praticado, como tambémos juros, visando segurar a inflação; a outra, quer diminuir ambos einvestir no crescimento da economia, mesmo com risco controlado de aumento da inflação. Enquanto issoo PIB, muito baixo (2,5%) deu um “susto”, indicando crescimento da economia abaixo do programado. Isso significa que a equipe econômica pisou no freio com muita força. Achamos o artigo abaixo esclarecedor desse debate. Vejamos. É inviável baixar juros e superávit ao mesmo tempo |
Não há como fazer uma “inflexão” das políticas fiscal e monetária, de forma simultânea, sem que a inflação não apareça logo mais à frente. As pressões por uma “inflexão” ou “mudança da dosagem” crescem no governo e não raro são estimuladas pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele, porém, terá que escolher o que fazer: baixar os juros de forma mais rápida – e isso não é uma redução de 0,5% ao mês – mantendo rédeas curtas no fiscal; ou reduzir de forma importante o superávit primário, mantendo os juros elevados. A opção da área econômica é a primeira hipótese – manter um gordo superávit para o Banco Central poder reduzir a Selic. Mas isso gera grande inconformismo no resto do governo. Até outubro, segundo os dados do Banco Central, o superávit acumulado é de 5,97% do Produto Interno Bruto (PIB). Para uma meta anual de 4,25% do PIB, o país conta com um excesso de superávit de 1,72% do PIB. Isso significa que de janeiro a outubro o setor público consolidado (governo central, estados, municípios e empresas estatais) economizou R$ 97,055 bilhões. A meta para o ano todo era de R$ 82,75 bilhões. Ou seja, já há uma sobra de R$ 12,305 bilhões que poderia ser gasta. Ontem o governo anunciou, após reunião da junta orçamentária, que disponibilizará R$ 2,8 bilhões para investimentos e obras sociais ainda em dezembro. Aparentemente venceram, na disputa com a área econômica, os ministros e petistas que defendem a flexibilização da política fiscal, os chamados “gastadores” ou “desenvolvimentistas”. Mas isso é só aparência. Os recursos anunciados ontem representam menos de um quarto (1/4) do excesso de superávit até outubro e este encerrará o ano na casa dos 4,7% do PIB ou mais. Isso já está dado e não há mais tempo para mudar. O problema não é este ano, mas o próximo. Os desentendimentos no governo ainda não deixaram claro qual será a meta fiscal para 2006. Se do lado fiscal, a “inflexão” não é algo substancial, que caracterize alguma mudança de rumo ou dosagem, do lado da política monetária, mesmo sob fortes críticas, o Banco Central assegura que seguirá conservador. Na próxima semana o Copom realiza a última reunião do ano e não há qualquer sinal de que derrubará a taxa de juros básica em algo além dos 0,5 ou 0,75 ponto percentual. É uma certeza, mesmo em segmentos da área econômica, que o Banco Central errou na mão, como sustentou o presidente do BNDES, Guido Mantega, em entrevista à ‘Folha de S. Paulo’ no domingo. A queda de 1,2% do PIB seria a prova de que o BC praticou uma overdose de juros, matando parte do PIB. O BC sempre trabalhou com o postulado de que há um patamar em que o PIB pode crescer sem gerar inflação. Algo como 3,5% . Isso seria compatível com a meta de inflação de 5,1% para este ano. O BC, porém, manipula a massa do bolo. Quem dá a receita é o Conselho Monetário (CMN), depois de submetida a meta ao presidente da República. Não adianta, portanto, tripudiar do BC agora, nem de um diretor em particular. Lá, as decisões são colegiadas. |