Direção da Chesf deve mudar


Dilma vai mudar direção da Chesf por causa do apagão


Karla Mendes – O Estado de S.Paulo






Já está certa a mudança, em breve, no comando da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf). Segundo revelou ao Estado uma fonte do governo, o motivo é o apagão que deixou 46 milhões de consumidores no escuro em oito Estados no início de fevereiro.



Insatisfeita com o incidente, a presidente Dilma Rousseff quer mudanças na presidência – atualmente ocupada por Dilton da Conti Oliveira, indicado pelo PSB – e diretorias da empresa. Isso porque, no governo, não há dúvidas de que o apagão foi provocado por um erro de operação durante o restabelecimento da subestação Luiz Gonzaga, em Pernambuco, revelou a fonte.


As negociações entre PT, PMDB e partidos da base aliada serão retomadas na próxima semana. Além da Chesf, a Eletronorte também terá alterações no comando da empresa. Até mesmo a Eletrosul, que já é dirigida por um nome ligado ao PT, Eurides Luiz Mescolotto, indicado pela ex-senadora e atual ministra da Pesca Ideli Salvatti, é alvo de brigas dentro do partido. Mesmo onde já houve troca na presidência – caso da Eletrobras e Furnas -, os cargos de diretoria dessas estatais são alvo de uma disputa feroz entre os partidos.


O próprio presidente da Eletrobrás, José da Costa Carvalho Neto, admitiu ontem a possibilidade de mudanças no comando e diretorias das subsidiárias da estatal. “Eu acredito que pode haver (mudanças), mas o assunto ainda está sendo analisado”, afirmou o executivo, antes de participar de evento no Palácio do Planalto da assinatura de uma portaria que prevê a participação de representantes de trabalhadores nos conselhos de administração das estatais.


Carvalho Neto, indicado por Dilma, assumiu recentemente o comando da Eletrobrás no lugar de José Antônio Muniz Lopes, que era da cota do PMDB e foi para a diretoria de transmissão da estatal. Outra mudança recente foi na presidência de Furnas, com a entrada de Flávio Decat, também indicado por Dilma, que substituiu Carlos Nadalutti Filho, apadrinhado do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).


Apagão. O governo ainda não divulgou o Relatório de Análise de Perturbação (RAP) do apagão do Nordeste. Razão: o Ministério de Minas e Energia ainda não recebeu as informações da Chesf. A versão oficial apresentada pelo governo até então relata que o problema foi causado por um defeito no cartão de proteção da subestação de Luiz Gonzaga, que emitiu um falso sinal de falha no disjuntor, o que provocou o desligamento da estação.


A partir daí, houve um “efeito cascata” que acabou desligando boa parte do sistema no Nordeste. Na ocasião, o ministério informou desconhecer as causas que fizeram o cartão emitir um falso alarme, mas descartou falta de manutenção. Fontes do governo revelaram ao Estado, porém, que o problema ocorreu por um erro operacional da Chesf, que deu início à reposição do sistema pelo disjuntor defeituoso.

(Fonte: Agência Estado)

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