Durou pouco a dignidade da justiça. O estranho poder do governo estadual conseguiu cassar a liminar que impedia a estúpida venda da COPEL. O inacreditável é que os candidatos remanescentes são mesmo abusados. Querem comprar a COPEL mesmo sob a declaração dos principais candidatos ao governo paranaense que já declararam que irão reverter a venda assim que assumam. Só isso já é um indício de que há algo de podre nesse leilão. O que faria esses senhores correrem um risco dessa ordem?
Três grupos se inscreveram no leilão da Copel
Entre os candidatos está o consórcio formado por Votorantim e Vale
Três grupos de investidores se pré-qualificaram ontem para o leilão de privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel), que ocorre dia 31, no Rio. O nome das empresas apenas será divulgado oficialmente na segunda-feira, após análise da Aneel. Mas a belga Tractebel e o Grupo Votorantim, em parceria com a Vale do Rio Doce, confirmaram a apresentação dos documentos na Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC).
Mesmo assim, a participação das duas empresas no leilão ainda não é certa. Em ambos os casos, os representantes pedem adiamento do leilão. Segundo o diretor da Votorantim Energia, José Said de Brito, a empresa ainda está estudando alguns aspectos do negócio e necessitaria de mais tempo para tentar articular novas parcerias para concorrer à compra da Copel. "Se não tivermos um adiamento de 10 a 20 dias na data do leilão, não conseguiremos participar", disse. A mesma opinião é compartilhada pelo presidente da Tractebel, Maurício Ber. Segundo ele, as chances de a companhia participar do leilão ficam menores se houver um adiamento. "Precisamos avaliar melhor a empresa."
Contrato Mas, segundo especialistas, as possibilidades de o governo prorrogar o leilão são mínimas. Isso porque o governo corre o risco de perder o controle da Copel, caso o leilão da empresa seja adiado. Um contrato firmado com o então Banestado (hoje Itaú), atualmente impedido de vigorar sob liminar, dá ao banco 70 bilhões das ações ordinárias da empresa como garantia de dívida contraída em agosto de 1998. Serão ofertadas 100 bilhões de ações ordinárias da Copel no leilão marcado para o dia 31. A dívida com o Itaú, que vence em março de 2002, hoje equivale a R$ 505 milhões.
O analista da corretora Sudameris, Marcos Severine, explica que a dívida do governo com o Banestado refere-se a precatórios de Alagoas, Santa Catarina, Pernambuco, Osasco e Guarulhos. Como garantia inicial, em 1998, foram dadas 24,7 bilhões de ações ordinárias da Copel.
O primeiro vencimento foi em março de 1999. As negociações foram lentas devido à compra do Banestado pelo Itaú e concluídas em dezembro do ano passado. Ao final da renegociação da dívida, a garantia subiu para 70 bilhões de ações ordinárias da Copel, mais da metade das 100 bilhões que irão a leilão. (Jaqueline Farid, Eugênio Melloni e Renée Pereira)
Resultados vão decidir próximas medidas do GCE
Grupo vai saber se hoje se houve economia de energia com o feriado de ontem no Nordeste
GERUSA MARQUES
BRASÍLIA A Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE) só vai tomar qualquer decisão sobre se acata a reivindicação dos governadores nordestinos contra a adoção dos feriados extraordinários, depois de tomar conhecimento do impacto desse medida na economia de energia.
Hoje, os integrantes da Câmara deverão receber o relato do presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, sobre o nível dos reservatórios que abastecem as usinas hidrelétricas da região e a redução do consumo alcançada com o primeiro feriado, ontem.
Os números foram fechados à meia-noite de ontem. De acordo com a Medida Provisória, editada na semana passada, os outros dois feriados extras serão adotados nos dias 16 e 26 de novembro.
O governador de Alagoas, Ronaldo Lessa, sugeriu na semana passada que os feriados sejam substituídos por outras medidas, como a redução em uma hora diária do horário de funcionamento do comércio.
O governador deverá apresentar ainda nesta semana uma proposta formal de medidas alternativas para intensificar a economia de energia. Essas medidas, segundo Lessa, teriam o compromisso das federações representativas do comércio e da indústrias.
Reservatórios O nível dos reservatórios que abastecem as hidrelétricas na região Nordeste baixou, no domingo, para menos de 10% da capacidade máxima. O ONS registrou no dia 21 nível de 9,44% nos reservatórios da região, o que representa 1,56 ponto porcentual acima da curva-guia, limite mínimo definido pelo governo. A queda, desde o início do mês, foi de 2,87 pontos porcentuais.
Segundo o ONS, a economia de energia no Nordeste do dia 1.º ao dia 21 de outubro foi de apenas 13,6%, para uma meta de 20%.
No Sudeste e Centro-Oeste, a redução do consumo nos 21 dias do mês de outubro foi de 18,2%. Mesmo não cumprindo a meta de economia de 20%, a situação dos reservatórios nas duas regiões vem melhorando gradativamente, principalmente pelas recentes chuvas.
Domingo o nível dos reservatórios estava em 21,48%, o que significa 7,59 pontos porcentuais acima da curva-guia. O ganho desde o início do mês foi de quase 1 ponto porcentual. A afluência de águas aos reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste está em 114%, o que representa 39 pontos porcentuais acima da projeção do governo, que era 75%. (AE)
Distribuidoras de SP reajustam tarifas em 19,43% E nem incluem o "prejuizo" do racionamento. Essa mordida ainda virá!
BRASÍLIA A partir de hoje, as tarifas da Bandeirante Energia e da Companhia Piratininga de Força e Luz, ambas do Estado de São Paulo, estão mais caras. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou ontem um reajuste de 19,43%. O reajuste está previsto nos contratos de concessão e não inclui a reposição das perdas das concessionárias com o racionamento.
Segundo a Aneel, no cálculo do índice de aumento foi retirada a contribuição destinada à cobertura dos custos de implantação do Mercado Atacadista de Energia (MAE). Com a contribuição, o índice de reajuste seria de 20,06%. De acordo com as regras contratuais, a cada 12 meses as empresas podem repor o aumento de gastos na operação, como os custos chamados de não gerenciáveis, a energia comprada das distribuidoras e as taxas federais. Entram no cálculo também os custos considerados gerenciáveis, que são basicamente as despesas internas, que variam de acordo com o IGP-M. (AE)