Eletrobrás eleva lucro impulsionada pela Chesf

SETOR ELÉTRICO
Chesf salva balanço da Eletrobras
Publicado no Jornal do Commercio, Recife, em 19.05.2010, Caderno Economia

Reforçada pelo dinheiro da estatal nordestina, holding eleva lucro em 413% no 1º trimestre. Resultado passou de R$ 101 milhões para R$ 520 milhões

Inflada pelo bom resultado financeiro da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), que registrou um lucro de R$ 433,8 milhões no primeiro trimestre do ano, sua holding, a Eletrobras, também teve um bom desempenho no mesmo período. Lucrou R$ 519,7 milhões, um acréscimo de 413% em relação aos primeiros três meses de 2009 (R$ 101,3 milhões). A Chesf, que sofre um processo de esvaziamento político e operacional, foi responsável por 83,5% do lucro da Eletrobras, sua controladora. Com sede no Rio de Janeiro, a Eletrobras é comandada politicamente pela parte do PMDB ligada ao senador José Sarney.

Excluindo o lucro da Chesf, as 10 empresas que entraram no balanço da Eletrobras somaram um lucro de R$ 85,9 milhões no resultado do primeiro trimestre deste ano. O balanço excluiu do resultado algumas controladas da holding como Furnas, Distribuição Acre, Amazonas Energia, Distribuição Roraima e Distribuidora Rondônia. A Eletrobras tem 16 empresas. A Chesf, cujo poder decisório agora é na Eletrobras, é a mais lucrativa de todas.

Segundo informações da assessoria de imprensa da Eletrobras, a capitalização das subsidiárias, realizada no fim do ano passado, e a consequente redução das despesas operacionais e financeiras dessas empresas, aliada à questão cambial, possibilitaram à holding o aumento do lucro. Nesse processo de capitalização, a Eletrobras assumiu as dívidas das principais subsidiárias – incluindo as da Chesf. Assim, passou a pagar menos Imposto de Renda sobre esses financiamentos.

As empresas do sistema elétrico que mais se destacaram no bom resultado da holding foram a Eletrobras Chesf (novo nome da empresa nordestina), com um resultado 64,6% superior ao do primeiro trimestre do ano passado, e a Eletrobras Eletronorte, segundo informações do gerente da Divisão de Relações com Investidores da Eletrobras, Arlindo Castanheira. A Eletronorte parou de ter prejuízo com os sistemas isolados implantados no Norte do País devido a uma mudança na legislação que ocorreu no ano passado.

Ainda de acordo com Castanheira, os dados da estatal Furnas não entraram no resultado do primeiro trimestre porque a empresa não concluiu o relatório de informações a tempo, devido à troca do seu sistema de gestão de acompanhamento contábil. “Furnas tem um perfil muito parecido com o da Chesf, portanto, quando tivermos essas informações, deve ser algo próximo da Chesf, em termos de resultados”, afirmou.

ESVAZIAMENTO

“Esvaziar a Chesf – como a Eletrobras vem fazendo – e se apropriar do seu lucro pode ser classificado como um estelionato”, diz o diretor do Ilumina Nordeste, João Paulo Aguiar. O Ilumina é uma organização não-governamental (ONG) que atua no setor elétrico. Nos últimos cinco anos (entre 2005 e 2009), a Chesf foi responsável por 40% do lucro do sistema Eletrobras. No ano passado, a Chesf registrou um lucro de R$ 764,4 milhões, enquanto o da Eletrobras ficou em R$ 170,5 milhões.

O lucro da Chesf cresceu 64,6% no primeiro trimestre deste ano porque a receita da empresa aumentou em 1,5% e os custos caíram 12,5%. Contribuíram para essa queda a redução de 70% das despesas financeiras e a diminuição dos juros. Até agora, apesar de tentar vender a ideia de que vai recuperar a autonomia da Chesf, o governo federal não tomou qualquer providência para devolver a força da empresa nordestina, que foi retirada com a alteração dos estatutos realizada em 2008.

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