Ilumina, em defesa da Energia

Matéria publicada no JORNAL DO COMMERCIO, Recife, PE,  em 15.05.2010 no Caderno Economia

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Uma ONG em defesa da energia

Criado para combater a privatização do setor elétrico, Instituto Ilumina trabalha pela recuperação da autonomia da Chesf

Angela Fernanda Belfort

 

O processo de esvaziamento da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) revelou a existência de um quadro técnico e especializado na questão energética na região. É o caso do Instituto Ilumina Nordeste, uma organização não-governamental (ONG) que decifra e alimenta o debate sobre o setor elétrico em Pernambuco. “Não temos pré-sal, nem Bacia de Campos, por isso 90% de nossas preocupações são com o setor energético”, comenta um dos seus diretores, João Paulo Aguiar. Uma das principais finalidades da instituição é dar instrumentos para alguns setores da sociedade, como representantes do governo e formadores de opinião, sobre mudanças que podem trazer consequências para o cidadão comum.

 

“Inicialmente, o Ilumina foi fundado, no Rio de Janeiro, em 1996 com o objetivo de se posicionar contra as privatizações do setor elétrico”, lembra um dos diretores do Ilumina Nordeste, o engenheiro Antonio Feijó. Essa primeira equipe era formada por profissionais que trabalhavam em estatais do setor elétrico, como a Chesf e Furnas. Daí em diante, se espalharam vários núcleos pelo Brasil.

 

Com o tempo, os núcleos que se tornaram mais atuantes e continuam até hoje são o do Rio de Janeiro, onde fica a sede da organização, e o do Nordeste. “Trouxe o Ilumina para o Nordeste. Na época, era a ferramenta que tínhamos para lutar contra a privatização da Chesf”, afirmou João Paulo Aguiar, um dos fundadores do Núcleo Nordeste e do Ilumina Brasil.

 

Em 1997, Aguiar deixou o cargo de diretor da Chesf para iniciar uma campanha contra a privatização da estatal no núcleo local do Ilumina. Ele é um dos maiores especialistas em energia no País e esteve à frente da construção das hidrelétricas de Sobradinho e de Xingó.

 

Atualmente, o Ilumina Nordeste tem três diretores que atuam como um colegiado. Os três têm o mesmo poder. “Não existe hierarquia”, explica João Paulo. A instituição se mantem com a contribuição dos seus poucos sócios e cada um decide o quanto vai doar para a organização, que tem um site atualizado com informações sobre o setor elétrico (www.ilumina.org.br).

 

Desde 2005, o Ilumina assumiu uma postura ativa no acompanhamento do reajuste da conta de luz dos pernambucanos, chegando a levantar questões que contribuíram para que o aumento fosse menor do que o inicialmente previsto. Isso ocorreu na revisão tarifária de 2005 e no reajuste de 2009.

 

Em relação ao esvaziamento da Chesf, a ONG forneceu dados, mostrando as modificações realizadas na estatal e que retiraram o poder de decisão local. Até agora, o governo federal não tomou qualquer providência concreta para devolver a autonomia à estatal. “O exercício da cidadania é importantíssimo e a energia elétrica é um serviço público essencial para o País”, diz João Paulo, justificando a atuação do Ilumina Nordeste.

 

 

 

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