Ministra garante que Chesf terá sua autonomia de volta
Erenice Guerra reforçou determinação de Lula para que Eletrobras devolva poderes às subsidiárias
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Fernando Ferro (PT-PE), informou ontem que a ministra chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, confirmou que o governo federal está decidido a não ceder na questão da autonomia da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). O petista, que reuniu-se ontem com a ministra, ouviu dela que a ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é não abrir mão da reformulação do estatuto, o que garantirá à empresa a recuperação dos poderes. Desde 2008, a Eletrobras comanda um processo que concentra as decisões nas suas mãos, ao mesmo tempo em que provoca o esvaziamento das subsidiárias.
Ferro lembrou que Erenice Guerra, como titular da pasta da Casa Civil, é hoje a presidente do Conselho da Eletrobras e, portanto, a pessoa que está à frente das decisões sobre o destino da Chesf. “O que se viu no leilão (da concessão) da Usina Belo Monte (vencido pela Chesf em consórcio com a Queiroz Galvão) foi uma mostra de que tudo deve continuar como está”, disse o deputado. A vitória da empresa, segundo ele, comprovou a robustez financeira da companhia sediada em Pernambuco.
Ferro destacou, ainda, que a ministra é uma pessoa séria e que conhece o setor, já que foi secretária-executiva da Casa Civil, no período em que a ministra Dilma Rousseff era a titular. “Para a (atual) ministra, o que está ocorrendo na Eletrobras está em desacordo com a Presidência da República. Nas próximas reuniões do Conselho, a determinação será a de rever o estatuto”, informou.
O processo de “reformulação” das subsidiárias obrigou a Chesf, a mais lucrativa das 16 subsidiárias do sistema, a repassar os recursos diretamente para a Eletrobras. Tal esvaziamento provocou uma mobilização que envolveu políticos, funcionários da empresa e o governador do estado, Eduardo Campos (PSB).
O socialista chegou a convocar o ministro das Minas e Energia, Márcio Zimmerman, para participar de uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Cedes). Após esse encontro, o ministro encaminhou um ofício à Eletrobras, deixando claro que o processo de reestruturação do sistema deveria garantir a autonomia das controladas.
O presidente da Eletrobras, José Antônio Muniz Lopes, chegou a esboçar resistência, mas voltou atrás e anunciou que seguirá o que determina a Presidência da República. “Ele (Lopes) se reporta à ministra e, em última instância, ao presidente Lula. O presidente do país não é ele (Lopes) e nem Sarney (seu padrinho político), mas Lula”, frisou Ferro. Hoje, os presidentes das subsidiárias se reunirão na sede da Eletrobras, no Rio de Janeiro, para tratar da recuperação da autonomia. Ontem, as assessorias das empresas tiveram encontro em que prepararam o terreno para o evento de hoje.
Fonte: Diario de Pernambuco – 13/05/2010