NR-O ILUMINA está atento à discussão polêmica sobre a transposição das águas do rio São Francisco. Abrimoseste espaço para os defensores e para os contrários ao projeto. Esperamos com isso esclarecer nossos leitores para um posicionamento seguro e bem informado. O artigo que ora transcrevemos, bastante informativo,é do jornalista George Vidor e foi publicado dia25/7. Os negritos são nossos.
Transposição
O programa de transposição de água do Rio São Francisco já está em pleno andamento. Com a licença prévia liberada pelo Ibama, foi escolhido o consórcio encarregado de acompanhar o andamento das obras. A licitação para compra das grandes bombas, equipamentos sob encomenda que levam ano e meio para serem fabricados, está em curso. E o batalhão de engenharia do Exército em breve iniciará seus trabalhos, que também estarão voltados para a revitalização do Rio São Francisco.
Em Minas, serão construídas pequenas barragens nos afluentes do rio, que servirão como reservatórios nos períodos de muita chuva. Isso evitará grandes cheias e dará ao rio uma certa regularidade, mesmo quando o tempo seco se prolongar. Desse modo, junto com obras de desassoreamento, novos trechos do São Francisco podem voltar a ser navegáveis em território mineiro.
A vazão prevista no programa de transposição foi reduzida significativamente para não comprometer projetos de irrigação nas áreas ribeirinhas e nem interferir no volume de água necessário para o bom funcionamento das hidrelétricas.
Quando estiver em pleno funcionamento, a transposição será de 26 metros cúbicos por segundo, o equivalente a 1% da vazão média do rio. Quando o São Francisco estiver caudaloso e os reservatórios das hidrelétricas estiverem quase transbordando, esse volume poderá ser ampliado temporariamente para 68 metros cúbicos por segundo.
O objetivo da transposição é tornar perenes vários rios e canais nos estados mais secos do Nordeste (Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco). Com isso, os açudes não precisarão acumular tanta água para abastecer a região nos anos de seca. Reduzindo-se o espelho d’água dos açudes, a evaporação (responsável pela perda de dois metros de água no nível dos reservatórios por ano) diminuirá, de forma que além dos 26 metros cúbicos da transposição o sistema de abastecimento passará a contar na prática com uma vazão de 35 metros cúbicos por segundo, pelo manejo mais eficiente da água.
Se tudo der certo, dos 19,9 milhões de habitantes do semi-árido do Nordeste, 12 milhões serão atendidos pela transposição de água do Rio São Francisco. Mesmo assim, o consumo médio, que aumentará de 450 para mil metros cúbicos anuais por pessoa, ficará abaixo dos 1.500 que as Nações Unidas consideram adequados para se ter uma boa qualidade de vida.
Duas pequenas centrais hidrelétricas serão construídas nos declives do sistema e vão gerar parte da energia necessária para o bombeamento (que não funcionará nos horários de pico do consumo de eletricidade). Uma subsidiária da Chesf ficará responsável pela transposição das águas, para que não haja conflito com as hidrelétricas. O fornecimento da água será cobrado dos estados, e apenas os agricultores situados ao longo dos canais ficarão isentos.
O GLOBO 25/7