Os empregados da CELESC, empresa estadual de distribuição de energia elétrica de Santa Catarina, impediram no Conselho de Administração onde têm assento, a apresentação de uma proposta que visava alterar o nivel de governança corporativa da empresa, por achar queessamanobralevaria à privatização.
A proposta seria apresentada pelo representante da Previ (dona de 33,1% das ações)e levaria a empresa para o Nivel 2 do chamado Novo Mercado. Essa alteração iria facilitar apulverização das ações com a conversão das ações preferenciais em ordinárias, todas com direito a voto. O governo do Estado de Santa Catarina, que detém hoje 50,2% das ações ordinárias com direito a voto, teria esse percentual baixadopara 20%. Só um acordo com os acionistas poderia manter o poder do Estado, mas os empregadosquerem evitar esse risco.
A Assembléia Extraordinária do Conselho de Administração foi realizada no dia 2 último e teve o comparecimento de 40empregados que entraram paraapoiar os seus representantes no colegiado. O presidente do Conselho declarou não haver clima e canceloua pauta da reunião, alegando não haver urgência.
O governador tem maioria na Assembléia Legislativa e também poderia derrubar a alteração mantendo o Estado como acionista majoritário, mas essa seria uma iniciativaa ser decidida politicamente pelo Executivo.
Esse acontecimento mostra a importância da presença de representantes dos empregados com direito a voto no Conselho de Administraçãodas empresas públicas e valoriza a ação das entidades de representação dos mesmos, que estão sempre atentas para denunciar eimpedirações lesivas aos interesses dos cidadãos.