Empresas do setor elétrico divulgam festival de prejuízos
RIO – Várias empresas do setor de energia elétrica divulgaram seus resultados de janeiro a setembro nesta quinta-feira. Com exceção de duas empresas, os resultados finais foram prejuízos, muitas vezes provocados pela disparada do dólar. Veja os números:
Eletropaulo – A distribuidora de energia da região metropolitana de São Paulo amargou prejuízo líquido consolidado de R$ 533,1 milhões nos nove primeiros meses do ano. Somente no terceiro trimestre, o resultado da empresa ficou negativo em R$ 386,8 milhões, devido ao impacto da alta do dólar sobre dívidas externas.
A distribuidora de energia, controlada pelo grupo americano AES, lucrou R$ 29,3 milhões no terceiro trimestre do ano passado. Em 2001, teve prejuízo de R$ 13,9 milhões entre janeiro e setembro.
AES Sul – Controlada também pela AES, a distribuidora AES Sul sofreu estragos no balanço por causa da disparada do dólar. O prejuízo foi de R$ 740,2 milhões no terceiro trimestre. O resultado nem de longe lembra o lucro de R$ 73,6 milhões que a distribuidora teve no mesmo período do ano passado.
A AES Sul acumulou entre janeiro e setembro uma perda de R$ 1,1 bilhão, ante um prejuízo de R$ 147,2 milhões nos nove primeiros meses de 2001. Com isso, a AES Sul tinha um passivo a descoberto de R$ 651,9 milhões no fim de setembro passado. A empresa teve receita líquida de R$ 283,9 milhões no terceiro trimestre, uma alta de 8,7%.
No entanto, a AES Sul, que entre julho e setembro de 2001 teve receita financeira líquida de R$ 30,3 milhões, em igual período deste exercício apurou despesas de R$ 811,5 milhões.
Light – Adistribuidora de energia no Rio apurou nos primeiros nove meses do ano prejuízo líquido de R$ 406,797 milhões, com uma perda por ação de R$ 0,01074. No período, a receita líquida da empresa somou R$ 2,669 bilhões, enquanto o resultado bruto foi de R$ 203,148 milhões.
A companhia, cujo patrimônio liquido era de R$ 1,856 bilhão em setembro, registrou até o nono mês do ano prejuízo operacional de R$ 638,684 milhões.
Cerj – O prejuízo líquido da outra distribuidora de energia do Rio aumentou para R$ 280,6 milhões no terceiro trimestre deste ano. A empresa havia registrado perda de R$ 98,8 milhões no mesmo período de 2001. A receita líquida somou R$ 252,2 milhões entre julho e setembro, 27,6% acima do valor contabilizado no mesmo período do ano passado, em meio ao racionamento.
A Cerj, controlada pela espanhola Endesa, acumulou prejuízo de R$ 335,8 milhões nos nove primeiros meses do ano e tinha, em setembro, patrimônio líquido de R$ 113,6 milhões. No início deste mês, a Endesa anunciou que fará um aporte de US$ 100 milhões na Cerj, mediante a capitalização de dívidas da concessionária.
CPFL -A holding CPFL Energia, que controla a distribuidora CPFL e a CPFL Geração, teve prejuízo líquido de R$ 379,3 milhões nos nove primeiros meses deste ano. A distribuidora reduziu para R$ 101,7 milhões o prejuízo líquido no terceiro trimestre, ante uma perda de R$ 259 milhões no mesmo período de 2001. Nos nove primeiros meses de 2002, a CPFL acumulou prejuízo líquido de R$ 202,6 milhões.
A receita líquida da CPFL distribuidoracresceu 39,1% e alcançou R$ 733,7 milhões entre julho e setembro. O aumento é fruto da recuperação das vendas, já que no ano passado a empresa enfrentava o racionamento, e de tarifas maiores. Com vendas maiores, a CPFL compensou a elevação das despesas financeiras líquidas, que subiram de R$ 142,2 milhões para R$ 296,4 milhões. A perda operacional foi de R$ 171 milhões.
A CPFL Geração apresentou entre janeiro e setembro prejuízo líquido de R$ 37,306 milhões. A receita líquida da companhia atingiu R$ 56,967 milhões no período. O resultado bruto apurado nesses nove meses ficou em R$ 9,875 milhões, ao passo que a despesa financeira líquida alcançou a marca dos R$ 55,859 milhões.
De acordo com o balanço, o resultado operacional ficou negativo em R$ 55,453 milhões e a equivalência patrimonial foi positiva em R$ 22,515 milhões.
VBC Energia – Uma das controladoras da CPFL Geração, a VCB Energia acumulou prejuízo líquido de R$ 241,789 milhões de janeiro a setembro deste ano. O resultado operacional da companhia foi negativo em R$ 243,372 milhões no período.
Segundo demonstrações financeiras não consolidadas, as despesas financeiras líquidas totalizaram R$ 37,968 milhões nos três trimestres do ano.
Copel – A distribuidora do Paraná teve prejuízo líquido consolidado de R$ 138,3 milhões no terceiro trimestre, acima da perda de R$ 53,4 milhões registrada no segundo trimestre. A comparação com o terceiro trimestre do ano passado é prejudicada por causa da reestruturação societária feita pela empresa.
As vendas da Copel aumentaram do segundo para o terceiro trimestre deste ano. A receita líquida da estatal paranaense subiu de R$ 618,3 milhões para R$ 720,4 milhões nessa base de comparação. No entanto, com a variação cambial a companhia atingiu despesas financeiras líquidas de R$ 326,4 milhões entre julho e setembro, ante R$ 197,3 milhões de abril a junho. A Copel fechou os nove primeiros meses do ano com prejuízo de R$ 49,9 milhões e receita de R$ 1,971 bilhão.
Geração Paranapanema – Controlada pela Duke Energy, a Geração Paranapanema ampliou para R$ 32,1 milhões o prejuízo líquido no terceiro trimestre. No mesmo período do ano passado, a empresa teve uma perda de R$ 27 milhões. A receita líquida da geradora aumentou 29,3% no terceiro trimestre, quando atingiu R$ 127,8 milhões. Com a subida do dólar, as despesas financeiras líquidas saltaram de R$ 53,5 milhões para R$ 86,8 milhões.
A Paranapanema teve prejuízo operacional de R$ 47,6 milhões entre julho e setembro, ante uma perda de R$ 39,5 milhões no mesmo intervalo do ano passado. Nos nove primeiros meses de 2002, a geradora contabilizou prejuízo líquido de R$ 1,5 milhão.
Tractebel – Em demonstração financeira consolidada, a Tractebel acusou prejuízo líquido de R$ 355,124 milhões entre janeiro e setembro deste ano. No período, a receita líquida da companhia totalizou R$ 1,065 bilhão e o resultado bruto, R$ 355,977 milhões.
O resultado operacional foi negativo, da ordem de R$ 542,140 milhões. Em 30 de setembro, o patrimônio líquido da empresa situava-se em R$ 2,588 bilhões.
CTEEP – A Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) apurou lucro líquido de R$ 57,2 milhões no terceiro trimestre, mais que o dobro do resultado obtido no mesmo período do ano passado. Naquela época, a estatal ainda não havia incorporado a Empresa Paulista de Transmissão de Energia (EPTE), o que só ocorreu em novembro de 2001.
A receita líquida da CTEEP totalizou R$ 196,7 milhões entre julho e setembro últimos, 94,1% maior. O lucro bruto atingiu R$ 53,5 milhões. A estatal registrou despesas financeiras líquidas de R$ 19,2 milhões, revertendo a receita de R$ 5,9 milhões contabilizada no terceiro trimestre do ano passado. Mesmo assim, o lucro operacional subiu de R$ 37,4 milhões para R$ 64,7 milhões.
Entre janeiro e setembro, a CTEEP obteve lucro líquido de R$ 128,7 milhões, com receita de R$ 523,5 milhões. O patrimônio líquido da empresa no fim do terceiro trimestre era de R$ 3,4 bilhões.
Emae – O lucro líquido da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) disparou no terceiro trimestre, quando atingiu R$ 31,6 milhões. No mesmo período do ano passado, o resultado da empresa foi positivo em R$ 1 milhão. A Emae reduziu de R$ 98,6 milhões para R$ 22,6 milhões os gastos com a compra de combustível para a produção de energia.
A receita líquida também diminuiu, de R$ 138,4 milhões para R$ 76,1 milhões. Mesmo assim, o lucro bruto subiu de R$ 337 mil entre julho e setembro do ano passado para R$ 46,5 milhões no terceiro trimestre de 2002. O lucro operacional da geradora somou R$ 48,7 milhões. A Emae contabilizou nos nove primeiros meses deste exercício lucro líquido de R$ 49,5 milhões.