ENERGIAS só quer geração






Energias do Brasil tem US$ 1 bi para usinas












O grupo Energias do Brasil preparaplano de expansão no país. O foco, segundo o presidente da empresa, o português Antonio Martins da Costa, é investir na aquisição de usinas hidrelétricas já leiloadas ou que ainda irão a leilão. Os recursos reservados para a compra dos ativos é de US$ 1 bilhão. O objetivo, segundo Costa, é adquirir de 800 megawatts (MW) a 1.000 MW de potência instalada em usinas.


A empresa, dona de três distribuidoras elétricas no país – Escelsa (ES), Enersul (MS) e Bandeirante (SP), concluiu neste ano o processo de reestruturação dos seus ativos e abriu o seu capital na Bolsa de Valores de São Paulo. Com a operação, o grupo captou R$ 1,12 bilhão e já é considerada a empresa do setor elétrico com maior capacidade de alavancagem.


A Energias do Brasil avalia quatro aproveitamentos hidrelétricos que deverão ser levados a leilão pelo governo federal, segundo Costa, que preferiu não revelar os nomes das usinas. No mercado, comenta-se que dentre eles estariam as hidrelétricas de Ipueiras, no Tocantins, e Simplício, no Rio de Janeiro – estas duas na lista do leilão divulgada pelo Ministério de Minas e Energia- ; além de Mirador, em Goiás, que foi excluída da lista.


Além disso, o presidente da Energias do Brasil diz que a empresa está disposta a comprar usinas já concedidas à iniciativa privada e que foram colocadas à venda por seus controladores.


A aquisição de ativos nos segmentos de distribuição (como a Light, no Rio) e de transmissão, como a Companhia de Transmissão Paulista de Energia Elétrica (Cteep), que será privatizada pelo governo paulista em fevereiro de 2006, estão fora dos planos da Energias do Brasil. “Não queremos distribuição porque já somos fortes nessa área, com três concessionárias no Brasil, e não temos ‘know how’ em transmissão, apesar da área ser atrativa”, disse Costa.


Uma das estratégias nos futuros leilões de usinas é entrar sempre em parceria com o sistema Eletrobrás, especialmente Furnas, subsidiária da estatal com quem a Energias do Brasil já tem parceria na hidrelétrica de Peixe Angical (60% do capital). Furnas detém os 40% restantes. As negociações para a compra de participações em usinas já concedidas, porém, não serão feitas em parceria com o sistema Eletrobrás.


Além dos recursos previstos para a aquisição de ativos novos, também foram reservados R$ 1 bilhão para investimentos nesse ano nos ativos já adquiridos.


Os investimentos em geração da Energias de Portugal (controladora da Energias do Brasil) no país hoje concentram-se em Peixe Angical, cujo início de operação comercial está previsto para 2006. Esta usina permitirá ampliar a capacidade instalada do grupo de geração de eletricidade em 452 MW.


Mas há outros projetos menores, como o da pequena central hidrelétrica (PCH ) São João, que entrará em operação em 2006, fornecendo mais 25 MW, e o da quarta unidade geradora da hidrelétrica Mascarenhas, que entra em operação também em 2006, com 50 MW adicionais. A usina de Lajeado, também no Tocantins, também será contemplada com recursos. Atualmente, o grupo gera 530 MW no país, e prevê dobrar essa capacidade em 2006.


Com a reorganização societária concluída nesse ano, a Energias do Brasil agora é detentora de 100% das suas três distribuidoras, quer foram transformadas em subsidiárias integrais. Os outros ativos do grupo são a comercializadora de energia Enertrade e, no segmento de geração, a EDP Lajeado e a Enerpeixe, empresa responsável pela construção da usina de Peixe Angical.


O controle da holding pertence ao grupo Energias de Portugal, que detém 62,7% da holding brasileira. Os fundos de pensão, minoritários e agrupados sob o guarda-chuva da GTD, ficaram com 6,6% da holding. Cerca de 30% das ações da empresa estão pulverizadas na bolsa.

(L.Coimbra Valor SP)

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