Termelétricas terão de recalcular preço
Daniel Rittner, Valor
| Diante da ameaça de uma explosão dos preços da energia elétrica e até de um novo racionamento, devido à escassez de gás natural para atender toda a demanda nacional, o governo resolveu dar o primeiro passo para organizar o suprimento da matéria-prima no país. Em portaria publicada ontem, no “Diário Oficial da União”, o Ministério de Minas e Energia determinou às usinas termelétricas que calculem, até 10 de janeiro, quanto precisam cobrar pela sua energia a fim de pagar o fornecimento do gás que serve como combustível. |
| A medida envolve as 13 termelétricas a gás que apresentaram baixo desempenho nos testes feitos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para medir a sua real capacidade de geração. Devido à falta de combustível, as usinas conseguiram produzir apenas 2.146 megawatts (MW) médios de energia. Em teoria, deveriam ter gerado 4.846 MW. É esse número que entra no cálculo das autoridades energéticas para monitorar o volume mínimo de água a ser preservado nos reservatórios das hidrelétricas e planejar o abastecimento do mercado nos próximos anos. |
| O resultado final dos testes – que foram realizados entre os dias 11 e 22 deste mês – apontou uma diferença de 2.700 MW médios entre a capacidade programada e a capacidade “real” de geração dessas usinas. Das 13 usinas, sete produziram pouca ou nenhuma energia. Se a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ratificar a sua decisão de retirar essas termelétricas da contabilidade de energia disponível no país, a percepção de risco de um novo apagão aumenta, e os preços tendem a elevar-se. |
| Preocupado com a possibilidade de assustar o mercado com o fantasma de um racionamento, o ministério quer saber qual é a remuneração que as usinas consideram necessária para assegurar a compra de gás. Na avaliação do governo, o combustível tem sido insuficiente para abastecer plenamente as termelétricas porque a matéria-prima vem sendo destinada prioritariamente a outros consumidores, que pagam mais pelo valor do gás natural. |
| De acordo com a portaria, as informações fornecidas pelas usinas “servirão de base para cálculo de novos valores de garantia física, que deverão servir de lastro para venda na celebração de contratos de comercialização de energia elétrica”. A intenção do ministério é saber se tem sido impossível a essas usinas operar a plena carga devido à falta de gás ou devido à baixa capacidade financeira de pagar por esse gás. Eventuais ajustes futuros de preços para o fornecimento de energia, porém, continuam a depender da Aneel, segundo a portaria publicada. |