Essa é demais! Antonio Erildo, presidente do conselho de consumidores (Pasmem!) da COELCE, a pior empresa distribuidora do país, diz que a tarifa é subsidiada!! As razões que dá para um aumento brutal & …

Essa é demais! Antonio Erildo, presidente do conselho de consumidores (Pasmem!) da COELCE, a pior empresa distribuidora do país, diz que a tarifa é subsidiada!! As razões que dá para um aumento brutal é que o investimento não está sendo cobrado! Se é para ser o sistema de remuneração do investimento, então vamos estatizar outra vez, porque, isso, o estado faz mais barato.


Energia fica mais cara com a privatização

Domingo, 18 de Março de 2001.


O consumo de energia elétrica vem crescendo no País e 90% dela vem de usinas hidrelétricas, que dependem de água da chuva armazenada para produzir mais. As chuvas estão escassas e é preciso urgentemente investir para expandir a capacidade do sistema para poder atender a demanda. O governo federal alega não ter dinheiro suficiente para isso e para solucionar este enorme problema, aponta como saída a privatização da geração de energia elétrica.


É impossível saber neste momento se deixar a geração de energia nas mãos da iniciativa privada irá resolver o déficit energético brasileiro, mas é a única perspectiva vislumbrada, não só pelo governo federal, mas por empresários e consumidores residenciais envolvidos com o tema, uma vez que o setor precisa de altos investimentos, com urgência, para não deixar o País no escuro. Mas a conta para ter tão precioso produto não sairá barata. Todos apostam em aumento da tarifa de energia para o consumidor final, pelo menos num primeiro momento.


"Privatizando ou não, o preço da energia vai aumentar porque hoje não está embutido na conta o investimento feito pelas empresas. A tarifa ainda é subsidiada", opina o presidente do Conselho de Consumidores da Coelce, Antonio Erildo Lemos Pontes. E ele tem uma expectativa assustadora sobre o futuro das tarifas, caso as geradoras sejam autorizadas a repassar ao consumidor o custo da expansão da capacidade. "Acredito que a tarifa seria o dobro do que é hoje."


O diretor de Projetos Institucionais da Coelce, João Nunes de Almeida Neto, também afirma que as tarifas atuais são subsidiadas. "Elas refletem o investimento passado, já depreciado, não é o preço de mercado", avalia. A ex-estatal Coelce não produz energia, apenas comercializa e distribui no Ceará, e estima que a privatização das geradoras vá elevar o preço ao consumidor final. "A tendência, no início, é de aumento de tarifas, mas depois da estabilização deve haver queda, a longo prazo. É a lei do mercado", resume.


A indústria também crê que, com a privatização das geradoras, as tarifas de energia irão subir. "Mas não acredito que dobrem. Tem que se evitar aumentos exorbitantes para não onerar a competitividade das empresas no mercado internacional", ressalta.


A idéia do governo é vender, primeiramente, Furnas Centrais Elétricas, usina instalada em Minas Gerais e que responde por 11,17% da usina fornecida para o País. Em seguida, deve entrar em processo de privatização a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), que produz 14,91% da energia elétrica no Brasil e nada menos do que 56,54% no Nordeste. É do complexo Paulo Afonso, formado por quatro usinas localizadas na Bahia, no rio São Francisco, que vem quase toda a energia elétrica consumida no Ceará.


A diferença de custo entre a geração e o consumidor final é de 792%: a Chesf informa que tem uma das tarifas mais baratas do Brasil, de R$ 25 a 27 o megawatt/hora (MWh). Já para o consumidor cearense, o custo deste serviço é de R$ 0,22339 por quilowatt/hora (kWh) ou R$ 223 o MWh, informa a Coelce, considerando a tarifa residencial normal. Isso significa dizer que um banho quente de 20 minutos, num chuveiro comum (de 3 mil watts) custa R$ 0,22.


Desde a privatização da Coelce – que não produz energia; compra das geradoras e distribui no Estado – a tarifa subiu 23,29%, enquanto a inflação em Fortaleza, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisa e Informação (IPC/Iplance) acumula 20,27% no mesmo período (de abril de 1998 a fevereiro de 2001).


A disparidade ocorre porque, pelo contrato de concessão assinado com o governo federal, a empresa tem direito a elevar a tarifa uma vez por ano de acordo com outro índice de inflação, o Índice Geral de Preços ao Mercado, da Fundação Getúlio Vargas (IGP-M), além de poder acrescentar aumentos em sua planilha de custos. O próximo reajuste será dia 22 de abril, em percentual ainda não divulgado, mas está certo que o aumento das tarifas de transmissão da Chesf ocorrido no ano passado (14,69%) será repassado, em parte, ao consumidor final.


A privatização da Chesf e a construção de usinas termelétricas continuam indefinidas, entre outras razões, até que se decida o modelo de venda e como será a regulação de tarifas. O desafio do governo é encontrar um meio termo que consiga atrair investidores da iniciativa privada e ao mesmo tempo impedir a explosão de preços de um serviço essencial.


Fonte: O Povo

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