Estado de São Paulo 01/09/99
Hidrelétricas do Tietê vão a leilão em outubro
Edital sai depois de amanhã com garantias para o funcionamento da hidrovia
CLEIDE SÁNCHEZ RODRÍGUEZ
O governo paulista decidiu ontem retomar o processo de privatização das companhias de energia elétrica e definiu os procedimentos administrativos e regulamentares de forma a assegurar à Secretaria dos Transportes as funções de fiscalização, normatização e regulamentação da Hidrovia do Tietê, informou ontem o secretário do Planejamento do Estado de São Paulo, André Franco Montoro Filho.
Pelo cronograma, no próximo dia 6 de outubro deve ir a leilão a segunda geradora criada a partir da divisão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) – data que ainda pode ser alterada: a Cia. de Geração de Energia Elétrica Tietê. O mais importante, no entanto, é a decisão do governo de assegurar o desenvolvimento das atividades econômicas e financeiras ao longo das margens dos rios, incluindo o turismo. Na prática, o governo acabou atendendo as pressões de políticos e prefeitos das cidades que se beneficiam das águas das hidrovias.
Houve uma grande mobilização, que obteve a adesão até da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para evitar que a privatização pudesse prejudicar as hidrovias como também as atividades criadas em torno delas.
O Conselho Diretor do Programa Estadual de Privatização (PED) pretende divulgar já nesta sexta-feira o pré-edital de venda da Tietê. O pré-edital talvez seja divulgado com o preço mínimo da empresa.
Características – O Rio Tietê corta o Estado de São Paulo no sentido leste-oeste, com 1.100 km de extensão. Em seu curso, estão instaladas as usinas de Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Promissão e Nova Avanhandava, que, com as usinas Água Vermelha, Limoeiro, Euclides da Cunha e Caconde somam a potência de 2,644 MW. As usinas hidrelétricas da Cia. Tietê estão localizadas nas regiões central e noroeste do Estado de São Paulo, próximas ao Estado de Minas Gerais.
Tais usinas foram projetadas e construídas visando o múltiplo aproveitamento das águas do Rio Tietê e permitem, ao mesmo tempo, o controle de cheias, desenvolvimento da piscicultura, do transporte e das atividades de recreação e turismo, além da geração de energia elétrica.
Em julho último, o governo de São Paulo vendeu a Paranapanema e, depois da Tietê, restará a Cesp remanescente para concluir a privatização da maior companhia energética do País.