Funcionários de Furnas entram em greve
Roberto Machado e Walter Huamany
RIO e BELO HORIZONTE. Em protesto contra a privatização de Furnas,
os funcionários da empresa decidiram entrar em greve à meia-noite de
ontem. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Urbanitários,
Alderísio Catarino dos Santos, não deve haver interrupção do
fornecimento de energia elétrica e a população não será prejudicada. O
sindicato montou um esquema de plantão para garantir a manutenção
dos serviços essenciais.
– As operações da empresa vão continuar e a população não será
prejudicada. Só não posso garantir que não haverá anormalidades
porque isso não depende só da gente. No dia 11 faltou luz e não havia
nenhum sindicato em greve. O risco existe sempre, mas é bom salientar
que manteremos as operações essenciais da empresa – afirmou o
sindicalista.
Os funcionários pretendem permanecer em greve pelo menos até
quinta-feira, data marcada para a assembléia que deve decidir pela
cisão de Furnas – o primeiro passo para a privatização.
O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, admitiu ontem que
as tarifas de energia elétrica poderão ter reajustes após a privatização de
Furnas. Segundo ele, o país tem que se adaptar aos custos reais,
principalmente em função da desregulamentação total do setor, prevista
para 2002.
O ministro disse que a energia ainda é barata em relação a outros países
e que os ajustes poderão acontecer nesta fase de transição, embora não
especificamente por causa da desestatização de Furnas.
– De um modelo estatal para um modelo privado, você pode ter algum
tipo de ajuste. Isso faz parte do sistema – disse Tourinho, em entrevista à
rádio CBN de Belo Horizonte.
Tourinho explicou que a intenção do Governo federal é dividir Furnas
em três empresas, sendo duas de geração e uma de transmissão de
energia elétrica. Inicialmente, somente as duas primeiras serão
privatizadas. Ele afirmou que o modelo permitirá uma concorrência
maior entre as vencedoras do leilão, provocando até uma redução da
tarifas.
Apesar da decisão do Governo, seis liminares impediram a realização da
assembléia que trataria da cisão, no fim de abril.
Segundo o ministro de Minas e Energia, a privatização é o único
caminho para garantir investimentos no setor. Ele disse que não se trata
de um objetivo financeiro e sim de uma estratégia para atrair o capital
privado, assegurando a retomada do desenvolvimento energético.
Tourinho acrescentou que ainda não foi acertada a destinação dos
recursos provenientes da venda de Furnas, empresa com patrimônio
líquido estimado em R$ 10,4 bilhões e que teve um lucro de R$ 453
milhões em 1998.
– Esse dinheiro não é carimbado. Vai para o Tesouro Nacional – afirmou
o ministro.