“Furada” a Curva de Aversão ao Risco





O SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO ESTÁ “NA MAIS ABSOLUTA TRANQUILIDADE”… SERÁ?



No dia 16/01/2008, o novo Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, foi oficialmente anunciado pelo Executivo Federal no cargo. Sua posse foi no dia 21. Enquanto isso, nesta mesma semanao nível do “reservatório equivalente” da região Sudeste/Centro-Oeste”furou” a curva de aversão ao risco (CAR), explicitando (pelos números, e não pelas palavras) que o SIN-Sistema Interligado Nacional estará operando fora das condições mínimas de segurança, estabelecidas na metodologia de avaliação de risco aprovada pela Agência Reguladora do Setor a ANEEL. Cabe lembrar que no início de janeiro/2008 esta CAR já foi alterada pelo ONS-Operador Nacional do Sistema Elétrico, para amenizar a fronteira da área de operação insegura do SIN, que seria adotada caso a sistemáticaem vigor para este tipo de cálculo fosse respeitada, tornando explícita esta situação insegura ainda mais cedo do que agora.



Ao mesmo tempo, o atual Presidente da EPE-Empresa de Pesquisa Energética, que somente agora nos últimos dias conseguiu um assento para participar das reuniões do CNPE-Conselho Nacional de Políticas Energéticas, continua a dizer à imprensa que “não há o menor problema” e, também, que “está tudo na mais absoluta tranqüilidade no Setor Elétrico Brasileiro”.



Essa “absoluta tranqüilidade” pode ser bem espelhada no esforço gigantesco que a Petrobrás vem fazendo para contratar uma imensa frota extra de caminhões-tanque, para providenciar a logística de transporte mínima necessária para levar o óleo combustível e diesel para as usinas termelétricas que precisarão ser acionadas (com estes combustíveis) para aumentar o percentual de geração que não seja de origem hidráulica no SIN. Enquanto esta logística não estiver equacionada (até então a mesma não existia por falta de necessidade de adoção deste tipo de medida), estas usinas não poderão operar de forma contínua.



Além disso, a Petrobrás já reduziu o seu consumo próprio de gás natural na re-injeção dos poços que estão em produção na plataforma continental (off-shore), e está partindo para utilizar, em lugar do gás natural nas suas refinarias, a nafta, o óleo combustível ou até mesmo o diesel.



Cogita a Petrobrás, inclusive, de paralisar temporariamente a produção de suas fábricas de fertilizantes (que utilizam gás natural também da sua cota de consumo próprio), para poder disponibilizar mais deste combustível para as usinas termelétricas, sem retirar o que vai para indústrias em geral e veículos.



Todas estas medidas que a Petrobrás tem tomado ultimamente estão corretas DO PONTO DE VISTA DA CRISE ENERGÉTICA REAL PELA QUAL PASSAMOS NESTE MOMENTO.



Dizer que a crise é “boato” da mídia, ou que está tudo “na mais absoluta tranqüilidade”, não parece ajudar muito o país para superar este problema. Um pouco menos de arrogância, mais transparência, e mais respeito pela inteligência dos cidadãos e eleitores, por parte dos que exercem o Poder, ajudaria a encontrar o melhor caminho para esse contexto energético grave em que nos encontramos.






Nível do reservatório equivalente do SE/CO no dia 15/01/2008 (dados do ONS)






Nível de água nos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste diminuiu na última semana


Valor Online


14/01/2008 17:56



RIO – O acionamento das usinas termelétricas no Sudeste e Centro-Oeste não evitou que o nível de água nos reservatórios das duas regiões ontem ficasse abaixo do registrado uma semana antes. No dia 6 de janeiro, os reservatórios da região estavam com 44,9% de água. Ontem, as barragens estavam com 44,7% da capacidade preenchida, para uma curva de aversão ao risco de 43,1%.



Os dados constam do Informativo Preliminar Diário da Operação (IPDO), divulgado hoje pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).



A curva de aversão ao risco é o mínimo de água necessário nos reservatórios para garantir a geração de energia elétrica a partir das hidrelétricas, sem a necessidade de ser recorrer à geração termelétrica. Devido à baixa incidência de chuvas em janeiro, período de maior acumulação de água nos reservatórios durante o ano, o governo determinou o despacho de térmicas a óleo combustível, de forma a economizar água.



No Nordeste, os reservatórios fecharam o domingo com 27,2% de sua capacidade, contra 27% no domingo anterior. Na região, a curva de aversão ao risco para o período é de 10%. A situação mais cômoda é do Sul do Brasil, onde as barragens estavam ontem com 72%, para uma curva de aversão de 20,3%. No domingo anterior, os reservatórios do Sul estavam com 74,3% da capacidade preenchida.



As termelétricas despachadas no fim de semana não conseguiram gerar a totalidade da energia prevista. No domingo, de acordo com o IPDO, estavam previstos 5.521 MW gerados a partir de energia termelétrica, enquanto foram gerados apenas 4.381 MW.



No Sudeste-Centro-Oeste foram gerados 1.975 MW a partir de termelétricas, contra projeção de 2.565 MW, enquanto no Nordeste as usinas térmicas produziram 1.113 MW, ante previsão de 1.275 MW. Na Região Sul foram 1.293 MW para uma projeção de 1.681 MW.



(Rafael Rosas | Valor Online)





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