A notícia
Petrobrás quer reduzir uso de gás
(Valor Econômico – 10/08)
A Petrobras analisa medidas de contenção do consumo de gás natural, que cresceu a uma taxa média anual de 20% nos últimos anos. Segundo o Presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, uma das medidas seria reavaliar os descontos dados em 2003 aos clientes. Outra medida seria o fim dos investimentos, pela estatal, em projetos termoelétricos a gás natural.
Hoje a Petrobras detém participação em 10 usinas que, juntas chegarão a gerar 5 mil megawatts até 2010. Gabrielli disse que uma taxa de crescimento de 20% do consumo de gás é insustentável do ponto de vista da garantia da oferta.
Com a retirada dos descontos, o preço subirá para o consumidor final. Os descontos foram dados no passado justamente para incentivar o consumo do gás.
Outra possibilidade é a transformação de termoelétricas, que usam gás natural em unidades “bicombustíveis”, que poderiam usar gás, diesel, ou óleo combustível. Segundo Gabrielli, oito termoelétricas da estatal devem ser convertidas com custo estimado entre US$150 milhões e US$ 200 milhões.
Nosso Comentário: Basta de perder tempo
Continuamos desprezando lições do passado esquecendo os desastres provocados, quando há 10 anos o governo FHC deu partida no programa de privatizações e na chamada reestruturação do setor elétrico, iniciados com a privatização da Escelsa e da Light. Pouco depois foi a vez do setor de distribuição de gás canalizado, que com a conclusão do gasoduto Bolívia–Brasil, em 1999, tinha como principal garantia a rápida expansão da geração térmica.
Veio a crise do setor elétrico e apesar das térmicas não operarem em períodos pluviais favoráveis, num sistema predominantemente hidráulico como o brasileiro, veio o PPT- Programa Prioritário de Termelétricas, que felizmente fracassou. Mesmo assim, hoje não temos gás natural suficiente para atender às térmicas autorizadas pela ANEEL.
Não dá para nos livrarmos da sensação de que continuamos perdidos dando cabeçadas, andando em círculos, por culpa da falta de coordenação, que sempre existiu no setor energético nacional, que não consegue planejar o setor elétrico e o setor petróleo/gás em conjunto.
Recentemente, estudos para ampliação da capacidade do gasoduto Bolívia-Brasil, em cerca de 8 milhões de metros cúbicos diários, foram guardados porque diziam não haver mercado para esse gás. Hoje utilizamos diariamente 25 milhões de metros cúbicos de gás natural, dos 30 milhões contratados da Bolívia e, talvez, a crise do setor na Bolívia, tenha sepultado de vez o projeto, no entanto, há o gás utilizado nas próprias refinarias, e um volume considerável, superior a 5 milhões/dia de gás sem aproveitamento, com tendência a aumentar esse volume por conta do esforço da Petrobrás na produção de petróleo para alcançar a auto-suficiência.
Além disso, o crescimento verificado na demanda, a uma taxa média anual de 20% nos últimos anos, de fato insustentável, é devido quase que totalmente à sua utilização nas termelétricas e no gás veicular, incentivados de forma equivocada tanto pelo Governo Federal como pelos Estaduais. Para que o crescimento da participação do gás natural ocorra de forma sustentada, é fundamental corrigir essas distorções definindo outras prioridades para sua utilização.
A transformação de algumas termelétricas, a gás natural em unidades “bicombustíveis”, para uso de diesel, ou de óleo combustível, certamente irá encontrar dificuldades por conta da questão ambiental.