Petrobras defende gasoduto que corta a Amazônia
“Gabrielli reconheceu que o projeto enfrentou sérios obstáculos, inclusive considerações de cunho ambiental”, além de questões ligadas a finanças, propriedade e regulamentação, “mas caso seja concluído, ele terá ´um enorme impacto sobre a matriz energética da América Latina´, possibilitando uma série de atividades dependentes de energia como a produção de aço e de fertilizantes.”
De acordo com o artigo do Financial Times, o presidente da Petrobras disse: “As redes de gás são fundamentais (para o crescimento econômico). Veja o que está acontecendo na Ucrânia, na Europa (ocidental) e nos Estados Unidos. O mundo precisa dessas veias.”
Segundo o artigo, críticos do projeto para o gasoduto, de 8 mil quilômetros, dizem que ele é motivado mais “por considerações políticas do que comerciais e que, com as distâncias envolvidas, seria mais econômico liquidificar o gás para entrega por navio.”
Gasoduto terá participação de outros países K.Lima, Estadão/JC Rio de Janeiro – O ministro das Minas e Energia Silas Rondeau disse hoje à Agência Estado que a Bolívia, o Peru, Chile, Paraguai e Uruguai terão representantes em uma segunda etapa de estudos para a construção do gasoduto do Cone Sul que começa no próximo dia 9 de março. Até o momento, apenas o Brasil, a Venezuela e a Argentina integravam o grupo de estudos sobre o duto que vai cruzar a América do Sul e que tem investimentos previstos de US$ 20 bilhões. O ministro está participando neste momento de reunião desse grupo no Rio e deve apresentar até o final do dia um cronograma com as próximas etapas para avaliação da viabilidade desse projeto. “Achamos importante a integração desses outros países porque este projeto vai permitir o abastecimento de todos eles. Será uma grande rede interligada em todo o Cone Sul, a exemplo do que são hoje as linhas de transmissão no sistema elétrico brasileiro”, disse o ministro. Segundo ele, a possibilidade aventada esse semana pelo presidente da Venezuela Hugo Chávez de o gás ser fornecido a um custo mínimo subsidiado de US$1 por milhão de BTU é “apenas uma sinalização de boa vontade para com o projeto, e não uma premissa para que o mesmo se realize”. O ministro explicou que somente durante a avaliação do grupo de estudos que será determinado um valor a ser pago pela molécula de gás natural. |
Gasoduto do Sul chama atenção de consórcio russo EFE/JC São Paulo – O projeto do “Gasoduto do Sul”, que ligará o Brasil, a Argentina e a Venezuela, despertou, nesta semana, o interesse do consórcio estatal russo de gás Gazprom, que se mostrou disposto em participar da iniciativa sul-americana. O projeto, inicialmente, teria como sócios a Petrobras, a venezuelana PDVSA e a argentina Enarsa. A companhia, que administra a maior rede de gasodutos do mundo, assinalou em comunicado que o assunto foi abordado na visita recentemente feita a diretores da PDVSA na Venezuela pelo chefe do Departamento de Atividades Econômica no Exterior da companhia russa, Stanislav Tsigankov. Na semana passada Tsigankov e outros diretores da Gazprom visitaram também a Petrobras para discutir possibilidades de cooperação. “A primeira reunião foi exploratória, não apresentamos projetos concretos, mas existe uma perspectiva positiva de acordos futuros”, declarou o diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer. Custo e Experiência A obra, que deve ter 9.283 quilômetros de extensão para levar gás desde Puerto Ordaz, na Venezuela, até Buenos Aires – após atravessar o Brasil de norte a sul -, tem um custo estimado em US$ 23,27 bilhões. A dificuldade do projeto se baseia no fato de que o traçado terá de atravessar parte da Amazônia. O diretor brasileiro não citou expressamente o gasoduto com a Venezuela e a Argentina, mas lembrou que a Gazprom tem uma experiência de 35 anos na construção e operação de obras desse tipo. Entre os trabalhos do consórcio russa estão o encanamento que leva gás da região russa da Sibéria à Europa, ou o gasoduto que ligará a Rússia à Turquia, construído à uma profundidade de 2.100 metros. Dependência Para o Brasil, o “gasoduto do sul”, como o tem denominado o presidente venezuelano, Hugo Chávez, é uma alternativa para reduzir sua dependência do gás natural boliviano. O País importará este ano cerca de 27 milhões de metros cúbicos diários por um gasoduto de 3.150 quilômetros de extensão. Os custos do gás boliviano são cada vez maiores , não só pelo preço do produto, mas também pelas crescentes despesas da Petrobras com o país do planalto, que passarão de US$ 60 milhões em 2005 a US$ 700 milhões este ano pela entrada em vigor da nova lei de hidrocarbonetos boliviana. |
Preço do gás boliviano vendido ao Brasil terá aumento uniforme EFE/JC La Paz – O governo boliviano ratificou, na segunda-feira, a decisão de aumentar, de forma uniforme, os preços do gás natural cobrados do Brasil e da Argentina, por considerar que os preços atuais “são injustos”. A decisão foi anunciada pelo ministro de Hidrocarbonetos, Andrés Soliz, e pelo presidente da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Jorge Alvarado. Atualmente, o Brasil paga à Bolívia US$ 3,23 por milhão de BTU (Unidade Térmica Britânica, na sigla em inglês) enquanto a Argentina paga US$ 3,18 dólares pela mesma quantidade de gás. “A Bolívia tem todo o direito de negociar com os países aos quais vende gás para pedir preços mais justos”, disse Alvarado. Soliz, por sua vez, sustentou que a nova administração boliviana se baseia no fato de que “o preço atual é injusto e que necessariamente tem que ser revisado”. O ministro de Hidrocarbonetos acrescentou que terá cuidado em suas negociações com o Brasil para que a oferta de um investimento milionário, a ser feito pela Petrobras para instalar uma petroquímica na fronteira com a Bolívia, não seja relacionado a um pedido para congelar os preços do gás. “Sempre estamos em meio a grandes ofertas futuras mas, no momento, trata-se de impor à Bolívia preços desvantajosos. Por isso, temos um certo cuidado e queremos continuar tendo no futuro”, disse Soliz. |
Bolívia desmente subsídio ao gás natural venezuelano EFE/JC La Paz – O governo da Bolívia desmentiu hoje a versão de que a Venezuela planeja oferecer gás subsidiado ao Brasil e à Argentina e atribuiu a informação a uma estratégia para impedir a alta dos preços bolivianos. O comunicado foi uma resposta ao anúncio que o ministro de Minas e Energia Silas Rondeau teria feito. Segundo consta, ele teria dito que a possibilidade de obter um preço subsidiado de gás foi apresentada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Para o presidente da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Jorge Alvarado, as versões sobre o subsídio surgiram na imprensa do Brasil e da Argentina para fazer pressão sobre a Bolívia. “É completamente falso” que a Venezuela planeja vender o gás a US$ 1 por mil BTUs (em inglês, unidade britânica de volume de gás) para esses países”, afirmou. Este preço representa menos de um terço dos US$ 3,23 e dos US$ 3,18 por milhar de BTUs que a Bolívia cobra do Brasil e da Argentina, respectivamente. “A Venezuela não é uma instituição beneficente, a Petróleos de Venezuela (PDVSA) faz negócios e precisa vender a preços internacionais estabelecidos”, completou. De acordo com Alvarado, trata-se “de uma especulação” que faz parte da reação “violenta” da imprensa conservadora brasileira ao anúncio da Petrobras de investir US$ 5 bilhões na Bolívia em vez de comprar o gás que a Venezuela oferece supostamente mais barato. |