Globo16/10/98
Eletrobrás fará parcerias com setor privado para transmissão
Ramona Ordoñez
A Eletrobrás está negociando parcerias com grandes grupos privados nacionais e estrangeiros para a construção de novas linhas de transmissão (transporte de energia desde as usinas até as distribuidoras), setor que permanecerá com a estatal após as privatizações na área de geração de energia. O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, disse que foi assinado o primeiro protocolo com a empresa inglesa National Grid. As duas empresas estão estudando quais projetos poderão desenvolver em parceria.
– Essa é a forma que encontramos de executar os projetos que são necessários em transmissão, que continuará com o Estado, para garantir o fornecimento de energia sem agravar as contas públicas – disse Sampaio.
A National Grid é proprietária de todo o sistema de transmissão na Inglaterra e está disposta a investir US$ 1 bilhão no Brasil.
Segundo Firmino Sampaio, dentro de 30 dias deverão ser escolhidos os projetos que poderão ser executados com a empresa britânica. Segundo Sampaio, também estão em negociação outras parcerias para projetos de transmissão com grandes grupos, como a belga Tractebel, que comprou a Gerasul, e a argentina Perez Companc.
O presidente da Eletrobrás disse que a iniciativa privada deverá ser majoritária nos projetos, ficando com mais de 51% dos empreendimentos.
– O país precisa investir cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em transmissão, e neste momento de recursos escassos a contribuição das parcerias será fundamental – disse Sampaio.
Ele destacou que os projetos já contam com o apoio do Banco Mundial (Bird), que financia parte dos investimentos privados e garante, com seu aval, co-financiamentos com bancos privados. Sampaio disse que o banco já manifestou interesse em financiar a construção da segunda linha de interligação Norte-Sul, um dos projetos em análise na parceria com a National Grid.
As parcerias da Eletrobrás contarão, também, com recursos do BNDES, que prevê financiamentos da ordem de US$ 2 bilhões em 99, para o setor elétrico, contra US$ 1 bilhão este ano.
Na área de petróleo, o país também deve receber mais investimentos. O diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, disse ontem que as áreas para exploração de petróleo que ficaram com a Petrobras podem render US$ 11 bilhões em três anos.