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Governador solicita posição sobre a Chesf
Publicado em 21.08.2010 no Caderno de Economia do Jornal do Commercio de Recife
A mudança no estatuto da Chesf, essencial para que a empresa recupere a capacidade de tomar decisões, já está dois meses e três semanas atrasada. Sem isso, empresa continuará esvaziada
O governador Eduardo Campos revelou ontem que voltou a cobrar do governo federal a prometida retomada da autonomia daquela que é a principal empresa do Nordeste, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). A mudança do estatuto da Chesf, essencial para que a empresa tenha novamente poder político e capacidade de pilotar decisões importantes para a região, já está dois meses e três semanas atrasada. Sem isso, ela continuará esvaziada, sem força política.
No início do ano, políticos, empresários e entidades de Pernambuco promoveram um ataque maciço contra as alterações promovidas na Chesf no final de 2008 pela sua controladora, a Eletrobras, que, apesar de ser estatal, é dominada pelo PMDB, partido que mantém ligações estreitas com o PT da candidata à presidência Dilma Rousseff. A área energética do governo federal, inclusive, funciona sob profunda influência dos peemedebistas José Sarney e Michel Temer, este vice na chapa de Dilma.
Na prática, o tal “esvaziamento” é a absoluta perda de poder da Chesf, que não pode tomar grandes decisões por si. Tudo o que exceder 0,5% de seu capital social (cerca de R$ 80 milhões), sejam compras, empréstimos ou obras, deve passar pela Eletrobras, no Rio de Janeiro. A palavra “milhões” pode parecer muito, mas no setor energético, investimentos de médio porte alcançam facilmente a casa das centenas de milhões.
Após a forte reação pernambucana, com um movimento crescente de declarações de notáveis locais e mobilização de entidades contra o esvaziamento, protestos que duraram várias semanas consecutivas, em abril o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se pronunciou contra as mudanças. Alegou que a perda de autonomia deveria ter sido erro de algum “burocrata” e determinou o resgate da força da Chesf.
Formalmente, o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, determinou a suspensão de todo o processo de esvaziamento da Chesf. E, principalmente, em 26 de maio passado, em passagem pelo Recife, o então presidente em exercício da Eletrobras, Ubirajara Rocha Meira, chegou mesmo a se comprometer com um prazo específico para que tudo acontecesse: um mês e meio após aquela data.
Desde então, continua faltando o necessário para o resgate da força regional da Chesf, a alteração no seu estatuto.
Para quem pensa que é uma briga pernambucana ou nordestina, uma “frente de batalha” muito similar passou a ser encampada em outra região brasileira, novamente envolvendo uma subsidiária da Eletrobras.
Na quinta-feira da semana passada, foi iniciada uma mobilização contra o esvaziamento de Furnas, companhia que atende o Centro-Oeste e o Sudeste.
Abordado ontem durante um evento na Associação dos Delegados de Polícia do Estado de Pernambuco (Adeppe), Eduardo Campos falou pouco sobre o assunto. Comentou que já havia solicitado um novo posicionamento do governo federal e que espera para breve resposta sobre o assunto. “Na semana que vem, conversarei sobre isso com vocês (com referência à imprensa)”, afirmou.