Guerra por água






MUNDO PODE TER GUERRAS POR ÁGUA, DIZ “HERALD TRIBUNE”




Em artigo assinado nesta quinta-feira (24), o “Herald Tribune”, dos Estados Unidos, aborda a questão da escassez de água neste século.
No texto intitulado “Um problema global”, são discutidos os riscos que o mundo corre de enfrentar guerras por causa de escassez de recursos hídricos e os caminhos a se percorrer para minimizar o problema.



“A CIA (agência de inteligência americana), a consultoria “Price Waterhouse Coopers” e, mais recentemente, o Ministério da Defesa britânico, todos levantaram o espectro de futuras “guerras por água”. Com a disponibilidade de recursos hídricos diminuindo no Oriente Médio, Ásia e África subsaariana, a questão segue e conflitos violentos entre países ficam cada vez mais prováveis”, diz o texto. “Será que estamos indo para uma era de ‘hostilidade hidrológica’, onde rios, lagos e aqüíferos se transformarão em itens de segurança nacional, pelos quais valerá a pena entrar em guerra com países vizinhos?” (BBC-Brasil/AEPET)



Comentário



Os mananciais de água doce são indubitavelmente um bem estratégico para a sustentabilidade humana. O Brasil possui uma parcela significativa da água doce disponível no planeta.No Brasil, essa água doce localiza-se em sua grande parte nas bacias hidrográficas do Amazonas, Tocantins, São Francisco, Paraná, dentre outras, além dos aqüíferos subterrâneos.



Para traçarmos alguns parâmetros de comparação, para demonstrar a situação do Brasil em relação à água doce, vamos analisar alguns números:




  • O Grande Rio, (composto pelos municípios do Rio de Janeiro, Niteroí, Nova Iguaçu, etc) com seus quase 10 milhões de habitantes, consome algo em torno de < />55 M3 de água por segundo (somadas as capacidades das adutoras do Guandu e Laranjal – Fonte: CEDAE);




  • No último mês de agosto o Rio Paraná (divisa de SP e MS) teve uma afluência média em torno de 10.000 M3/seg. Vale acrescentar que esse volume é ainda muito maior em períodos úmidos (de dezembro a março).


Se fizermos as contas, (somos atualmente aproximadamente 183 milhões) concluiremos que a população brasileira necessita hoje de aproximadamente 1000 M3/seg de água doce, ou seja, há somente no Rio Paraná uma capacidade de abastecer 10 vezes as necessidades para consumo humano no Brasil (ou seja, uma população de 1,8 bilhões de pessoas que equivale a quase 1/3 da população do planeta).



Vale lembrar que estamos falando de apenas uma das bacias hidrográficas brasileiras, pois ainda existem diversas outras, tais como: Tocantins, São Francisco, Paraguai, Amazonas, etc.



O rio Amazonas, por exemplo, em épocas de alta hidraulicidade chega a descarregar 200.000 M3 de água doce por segundo no oceano Atlântico ( Essa água daria para abastecer aproximadamente 6 vezes a população do planeta).



O Brasil, assim como o petróleo no Oriente Médio, é uma região do planeta aquinhoada pelo criador com uma alta concentração de água doce.



No Brasil, além do consumo humano, irrigação, etc, utilizamos a água dos rios para gerar praticamente 90 % da energia elétrica que movimenta a economia do país. Para tal, construímos os reservatórios, que seriam como imensas caixas d’água, que nos abastecem de água e energia elétrica de forma continuada inclusive em períodos de escassez. Poucos países no mundo tem a capacidade de atender à sua demanda de energia com uma fonte que se renova a cada chuva que cai nos reservatórios.



Ademas, as usinas hidrelétricas são todas interligadas por um vasto sistema de linhas de transmissão que nos possibilita levar água em forma de energia elétrica para diversas regiões do país onde esteja ocorrendo alguma escassez provisória.



As empresas do Estado Brasileiro que compõem o Grupo Eletrobrás foram as responsáveis pela construção de quase todo esse imenso e complexo sistema hidrelétrico que nos possibilita ser atualmente, de acordo com a Energy Information Administration dos EUA, o terceiro maior produtor de energia hidrelétrica do mundo.



Há poucos países no planeta ainda com potencial ocioso de produção dessa magnifica fonte de energia. Dentre eles podemos citar o Canadá e o Brasil. No caso do Brasil, aproximadamente 2/3 do potencial ainda pode ser explorado.



Observa-se no Brasil um forte lobby internacional, escondido por trás de biombos ambientalistas, indígenas e etc, que nos obrigammuitas vezes a queimar petróleo, importar gás para gerar energia elétrica ao invés de utilizar o magnífico potencial hidrelétrico disponível no território nacional.

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