Ilumina comenta pronunciamento do ONS



PRONUNCIAMENTO DO ONS NÃO SATISFAZ



Enquanto certos setores tentam culpar o governo pelo apagão do último dia 10, o Operador Nacional do Sistema (ONS), ENTIDADE PRIVADA que comanda o funcionamento do sistema elétrico brasileiro, tergiversa.


O pronunciamento oficial do seu Diretor-Geral, Dr. Hermes Chipp, foi decepcionante. Em termos técnicos, as razões por ele apresentadas não são suficientes para explicar o apagão.


Assim, em princípio, admita-se que, como afirmou o Sr. Chipp, as três linhas de 750 kV em corrente alternada que partem de Itaipu em direção a São Paulo, seja lá por que motivo, foram submetidas a curtos-circuitos quase que simultaneamente, em pontos próximos à subestação de Itaberá e, em conseqüência, tenham sido desligadas automaticamente pelo sistema de proteção das mesmas.


Ora, em condições normais, estes desligamentos não seriam capazes de provocar o apagão, porque deveriam desligar somente as três linhas, mas apenas no trecho Ivaiporã-Itaberá.


Isto é, o restante do sistema de 750 kV deveria continuar a operar normalmente no trecho de Itaipu até Ivaiporã e, a partir daí, na subestação de Ivaiporâ, continuaria conectado ao subsistema Sul, em 500 kV, que por sinal também interliga-se através de outros pontos com o subsistema Sudeste, igualmente em 500 kV, conforme foi comentado em “Análise do ILUMINA sobre o apagão” divulgada ontem.


Nestas circunstâncias, em Itaipu, na metade brasileira da usina que é conectada às linhas de 750 kV, e opera na frequência de 60 Hz, haveria necessidade da atuação automática do esquema especial de proteção rápida denominado “corte automático de geração”, para reduzir o total da geração no lado brasileiro da usina e se adequar momentaneamente à capacidade limitada de transmissão.


Ainda nestas circunstâncias, o sistema elétrico interligado certamente sofreria o que chamamos de “oscilação” nas suas grandezas físicas, como tensão, corrente e potência, mas deveria permanecer operando de forma estável após a oscilação ir se atenuando.


Enquanto isto, em princípio, a metade Paraguaia da usina de Itaipu, que opera com a frequência de 50 Hz, e envia a maior parte da sua energia para o Brasil através das duas linhas de ± 600 kV em corrente contínua, nem sequer deveria sentir qualquer reflexo da ocorrência de Itaberá.


Entretanto, bem se viu que as coisas não aconteceram assim. Primeiro, as linhas de 750 kV foram desconectadas também no trecho Itaipu-Ivaiporã (por quê?); e isto, ao que tudo indica, configura-se numa operação indevida, que teria resultado na “rejeição total de carga” para a metade brasileira de Itaipu, obrigando a sua completa paralisação.


Este desligamento das três linhas Itaipu-Ivaiporã não pode ser explicado como uma conseqüência direta, e natural, dos “curtos-circuitos próximos a Itaberá”.


Por outro lado, as duas linhas de ±600 kV em corrente contínua também foram desligadas automaticamente na sua totalidade, ou seja, entre Itaipu e Ibiuna, provocando o que se chama de “rejeição total de carga” do sistema brasileiro para a metade Paraguaia de Itaipu e, assim, acarretando também a necessidade da sua completa paralisação. Como consequência dessa paralização dos geradores do lado paraguaio de Itaipu, houve o apagão (blecaute) também no Paraguai todo.


A menos de falhas graves em equipamentos ou no sistema de proteção, se a ocorrência dos curtos-circuitos em Itaberá não é capaz de justificar a abertura do trecho Itaipu-Ivaiporâ das linhas de 750 kV, muito menos poderá justificar a abertura das linhas de corrente contínua de ± 600 kV e, consequentemente, também não poderá justificar o apagão.


Ainda quanto ao esclarecimento (preliminar) do ONS, feito pelo Diretor-Geral, se os curto-circuitos não foram devidos à queda de raios, MAS SIM EM FUNÇÃO DA PERDA DE SUPORTABILIDADE (ou seja, CAPACIDADE) DE ISOLAMENTO NA SUBESTAÇÃO ITABERÁ por acúmulo de água nos isoladores, isto se configura em um elemento novoe DA MAIOR GRAVIDADE!.


Vejamos por que:


a- Primeiramente, podemos afirmar que não existe a possibilidade de três raios caírem em 3 linhas diferentes, no mesmo local, e com intervalo de tempo de menos de 2 dezenas de milissegundos. É bastante improvável isso ocorrer na prática.


b- A perda de capacidade de isolamento ao acúmulo de água da chuva nas cadeias de isoladores também não é possível de se admitir como uma fatalidade, pois cadeias de isoladores SÃO FEITAS PARA NÃO ACUMULAREM ÁGUA.


c- Cadeias de isoladores SÃO SUBMETIDAS A ENSAIOS (testes) DE SUPORTABILIDADE DE TENSÃO EM CONDIÇÕES ÚMIDAS (ou seja, molhadas… melhor, sob chuva).


d- Assim, se realmente o que ocorreu (desligamento das 3 linhas de 750kV em Itaberá) foi causado por perda de suportabilidade do isolamento de cadeias de isoladores na subestação Itaberá DEVIDO À CHUVA, isto é um fatoTOTALMENTE INADIMISSÍVEL! Convém repetir, porém, que mesmo a ocorrência desse curto-circuito não seria suficiente para justificar o apagão.


Muita coisa, portanto, resta sem a devida explicação.


O ONS deve satisfação ao povo brasileiro, e as autoridades têm o dever de cobrar os esclarecimentos devidos.


O sistema elétrico brasileiro é robusto e, embora não possa ser 100% imune, dispõe de estrutura para suportar as perturbações naturais sem sofrer as conseqüências que sofreu na noite do último dia 10. Algo não funcionou como devia, e deve ser tecnicamente apurado em sua total profundidade.


ILUMINA


Rio de Janeiro, 19 de Novembro de 2009




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