ILUMINA – NE no Diário de Pernambuco









DP entrevistaFeijó,

do Ilumina – NE


Termoelétrica traz prejuízo à Celpe



Unidade reduz lucro, rende menos dividendos e tem alto custo de funcionamento para a Companhia Energética de Pernambuco

Micheline Batista
da equipe doDIARIO








A compra de energia elétrica pela Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) à TermoPE não é danosa apenas para os consumidores. Financeiramente, a operação também não é vantajosa para a empresa. Pelo contrário. Reduz o lucro, rende menos dividendos aos acionistas e deixa os cofres da companhia cada vez mais vazios. Caso adquirisse o produto através de leilões, a Celpe poderia ter registrado um lucro líquido 205% maior e um saldo em caixa 406% maior em 2005.

Os cálculos são do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina/NE) e mostram que o contrato firmado entre a Celpe e a TermoPE, ambas pertencentes ao grupo Neoenergia, penaliza a distribuidora em detrimento do controlador. “Se não pertencessem ao mesmo controlador, a Celpe não estaria nesse negócio nem a Agência Nacional de Energia Elétrica teria aprovado a operação, já que põe em risco o equilíbrio da concessão”, afirma o diretor do Ilumina/NE, José Antônio Feijó.

O especialista lembra que a Neoenergia está controladora da Celpe. Amanhã pode não estar mais e vai deixar a empresa em maus lençóis. “Os donos ou acionistas podem mudar a qualquer momento, mas enquanto a situação se mantém a Neoenergia se beneficia desse artifício engenhoso. A TermoPE nem precisa gerar toda a energia que vende. Compra no mercado de curto prazo a preços inferiores a R$ 20 e revende à Celpe por R$ 140,80”, dispara Feijó.

O estudo do Ilumina relata que, em 2005, a Celpe comprou à Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) 4.415.040 megawatts-hora (MWh), pelos quais pagou R$ 270,8 milhões. O preço médio do MWh ficou em R$ 61,35. Da TermoPE foram adquiridos 3.416.400 MWh, ao preço unitário de R$ 140,80, totalizando R$ 481 milhões. Para completar suas necessidades, a empresa foi buscar nos leilões 2.298.556 MWh ao preço médio global de R$ 57,38 por MWh – desembolso de R$ 131,9 milhões.

“Esses números oferecem uma visão clara da irracionalidade da operação. A Celpe paga R$ 481 milhões à TermoPE por 3.416.400 MWh e apenas R$ 402,7 milhões por cercado dobro da energia comprada aos demais fornecedores”, alfineta o estudo do Ilumina/NE. Encurtando a história: se a obrigação de comprar à TermoPE não existisse, a Celpe teria lucrado R$ 411,6 milhões em 2005, e não os R$ 134,8 milhões registrados no balanço.

Vilão – O custo de compra da energia à TermoPE, térmica a gás em funcionamento em Suape, foi o grande vilão da revisão periódica por que passou a Celpe em 2005. A Aneel concedeu em abril um reajuste de 32,54%, sendo 24,43% imediatos e o restante diluído nos três anos seguintes. O Ministério Público recorreu e a Justiça Federal de Pernambuco limitou o aumento em 7,4%. A liminar foi cassada pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Edson Vidigal.

















Redução de tarifas

















Sobre a questão tarifária, o documento do Ilumina/NE lança uma idéia ainda mais inusitada: ao invés de aumentar, as tarifas da Celpe deveriam ter sido reduzidas em 2005. Os especialistas da organização não-governamental defendem que deveria ter sido aplicada uma diminuição média global de 18,4% sobre as tarifas vigentes no ano passado.

O raciocínio é o mesmo. Considera-se o desempenho econômico-financeiro que a empresa obteve em 2005, excluindo a aquisição de energia à TermoPE e computando aquela mais barata disponível no mercado. O lucro operacional bruto permanece R$ 492.546.000, mas o custo do serviço cai para R$ 835.063.000, resultando em receita operacional líquida de R$ 1.327.609.000.

Ao invés de R$ 2.288.392.000, bastaria à Celpe arrecadar, via tarifa uma importância global em torno de R$ 1.865.607.000 para garantir o mesmo resultado. “A Neoenergia se aproveita do contrato com a TermoPE para obter ganhos extraordinários. O reajuste de 32,54% não deveria ser reconhecido”, diz Feijó. A Celpe preferiu não comentar o estudo.

Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *