Interessados na Light






Energia
Consórcio liderado por ex-executivos da AES, associados ao grupo Guggenheim, desistiu da disputa

Cinco grupos fazem propostas pela Light













Cinco grupos entregarampropostas para a aquisição da Light e da térmica da Norte Fluminense. Uma surpresa foi a associação, de última hora, do BES Securities com o grupo formado pelo Banco Pátria e a Prisma Energy, que controla a Elektro e outros ativos da massa falida da Enron no Brasil. Como esperado, a Cemig aprovou ontem sua entrada na empresa JLA, que será constituída para comprar a Light. A JLA tem quatro sócios além da estatal mineira: Andrade Gutierrez, o Banco Pactual e Aldo Floris, cada um com participação igual de 25%.


Os outros três consórcios são: o Energia do Rio, liderado pelo empresário Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira com apoio do fundo Millenium; a GP Investimentos, dona da Cemar, que é assessorada pelo ex-presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio; e o grupo formado pelo Banco Brascan com a Iposeira.


A GP teria apoio do Bank of America e de Diomedes Christodoulou, que foi um dos principais executivos da Enron na América do Sul. Já o grupo formado pelo Brascan e Iposeira, administradora de recursos que tem como sócio o ex-presidente do BNDES Eleazar de Carvalho, teria feito a oferta apesar de não confirmar.


Entre os grupos já conhecidos com acesso ao “data room” da Light, apenas o liderado pelo ex-comandante da AES, Tom Tribone com o fundo de investimentos Guggenheim não fez proposta.


Como os ativos estão sendo vendidos separadamente – Light e a térmica Norte Flumienense – o Valor apurou com uma fonte próxima às negociações que as propostas para levar os dois ativos tinham que ser feitas separadamente. A mesma fonte disse ainda que algumas propostas deixam uma margem para melhora da proposta no caso de um empate com outro concorrente.


Só duas pessoas do Citigroup em Nova York receberam as propostas, que foram enviadas por email. O documento só pode ser aberto por uma senha, garantindo a confidencialidade do documento. Os dois executivos chegam a Paris amanhã, quando a EDF deverá conhecer os detalhes das ofertas.


O consórcio liderado pela Andrade Gutierrez e a Cemig, por exemplo, já tem definido como presidente o executivo José Luis Alquérez, ex-presidente da Eletrobrás e da Alstom, e Ronnie Vaz Moreira, ex-Petrobras e Globopar. No consórcio Energia do Rio, o conselho será liderado por Eliezer Batista (ex-CVRD), tendo ainda Olavo Monteiro de Carvalho, Armando Klabin, Carlos Mariani e o ex-presidente da Eletrobrás, Altino Ventura. No grupo liderado pela GP o executivo deve ser Firmino Sampaio, outro ex-dirigente da Eletrobrás. Já no consórcio da Prisma com Banco Pátria não foram citados nominalmente os executivos que farão a gestão da Light caso a proposta seja vencedora.


O vice-presidente do BNDES, Demian Fiocca, disse que o banco não está envolvido com a venda, apesar de deter R$ 727 milhões em debêntures conversíveis. Segundo ele, não fará diferença se o novo sócio injetar dinheiro novo – o que pode acionar a cláusula do acordo que prevê a conversão das debêntures em ações à proporção de R$ 2 do banco para cada R$ 1 novo. O BNDES terá que aprovar a mudança de controle. “O objetivo da cláusula é verificar a capacidade financeira e de gestão da companhia.”

C.Schüffner e C.Martinez, Valor,Rio/SP

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