J. P. Morgan decepciona Sinceramente, esperavamos um pouco mais do famoso J. P. Morgan. O exemplo do México para desqualificar a idéia do "pool" é muito pobre. O México tem aproximadamente a 1/4 d …


J. P. Morgan decepciona


Sinceramente, esperavamos um pouco mais do famoso J. P. Morgan. O exemplo do México para desqualificar a idéia do "pool" é muito pobre. O México tem aproximadamente a 1/4 da nossa extensão territorial e tem apenas 16% de sua energia atendida por usinas hidráulicas. Lá, a operação do sistema é radicalmente distinta do caso brasileiro. Lá, pela característica térmica predominante, não há a disparidade de preços entre energia velha e nova encontrada aqui. Lá, o planejamento de novas unidades pode ser feito em um horizonte de 3 ou 4 anos. Aqui, é necessário uma antecipação de 10 a 12 anos. O que é ainda mais estranho é o fato de que o Pool mexicano funciona há 10 anos e só agora deu errado. O que será que aconteceu? Quando é que esses analistas vão entender que o sistema brasileiro não tem similar? O sistema de "pool", que não precisa ser igual ao mexicano, só poderá ser descartado após a experiência. Se der errado, certamente o governo Lula não vai culpar S. Pedro nem insistir arrogantemente na fórmula como fez o governo anterior.


Enquanto isso, o "garçon" começa a trazer a "conta" da barbeiragem do governo FHC na área energética. E não era "pool"!



Valor 07/02


Morgan vê risco no ‘pool’ proposto pelo governo

Leila Coimbra
, De São Paulo


O banco Morgan Stanley divulgou estudo onde critica o modelo de "pool" que a ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, quer implantar, que implica na criação de um comprador único para toda a energia produzida no país. O estudo, que tomou como base o modelo semelhante adotado no México desde 1992, afirma que o "pool" não permite o financiamento dos projetos de geração, favorece a inadimplência e aumenta a relação dívida/PIB para o Tesouro.


Segundo análise do Morgan Stanley, as garantias de financiamento dos novos projetos de geração no modelo são os contratos de longo prazo firmados com o "pool". "Se esse comprador for uma estatal, o governo passa a dar a garantia do financiamento. E, se essa garantia não foi suficiente no México, que tem risco de crédito muito mais baixo que o Brasil, chances de insucesso passam a ser maiores", afirma o analista David Souccar, do Morgan Stanley.


Além disso, o modelo pode favorecer a inadimplência das empresas privadas, já que o risco ficaria concentrado no "pool". O estudo é baseado no que ocorreu no México, que tem um comprador único de energia há dez anos.


Naquele país, o modelo funciona da seguinte maneira: o "pool", que é uma estatal, a Comissión Federal de Eletricidad (CFE – que seria a Eletrobrás mexicana), compra energia de termelétricas privadas via licitação. Ganha quem oferece o menor preço. A garantia do financiamento do projeto é o contrato de compra de toda a produção elétrica assinada com o "pool". Essa energia "nova" é mixada com a de outras usinas amortizadas e revendida às distribuidoras.


Essa fórmula atraiu quatro grandes grupos internacionais: EDF, Iberdrola, Unión Fenosa e Mitsubishi, que construíram 10 mil megawatts (MW) de usinas térmicas no período. Os quatro grupos não quebraram o monopólio estatal da CFE, que controla 95% da geração e 80% da distribuição do país. Mas as projeções futuras dão conta de um aumento da fatia privada de geração para 30% em 2012.


Nos últimos meses, no entanto, três dos quatro grupos multinacionais que atuam no México anunciaram a intenção de reduzir os investimentos naquele país, sinalizando o colapso do modelo. A primeira foi a francesa EDF, e depois as espanholas Unión Fenosa e Iberdrola. Esta última que disse no início da semana que pretende cortar ? 1,2 bilhão dos investimentos na América Latina até 2006, sendo dois terços no México.


O motivo alegado foi o aumento do risco regulatório, com mudanças no modelo enviadas pelo pelo atual governo ao Congresso, para permitir a ampliação do capital privado. As mudanças levaram a Suprema Corte a levantar a inconstitucionalidade do programa.


Os riscos regulatórios do modelo brasileiro também são levantados no estudo do Morgan, que projeta três cenários futuros para o setor elétrico brasileiro.


No primeiro, o governo abriria as discussões com todos os agentes para a formulação do processo. Apesar da participação das empresas ser considerada positiva, esse processo levaria pelo menos 12 meses, o que ocasionaria um vácuo regulatório durante o período.


No segundo cenário, o modelo de comprador único seria simplesmente imposto pelo governo. Para isto, o projeto precisaria de amplo apoio político para aprovação rápida no Congresso. Caso contrário, qualquer outra decisão regulatória permaneceria emperrada.


No terceiro e mais improvável cenário do Morgan, o governo manteria praticamente intacto o atual modelo regulatório. Na visão do banco, isso minimizaria os riscos, mas seria necessário solucionar os problemas do Mercado Atacadista de Energia (MAE).



Folha 08/02


BNDES pode assumir Eletropaulo, diz Dilma


BONANÇA MOUTEIRA

CHICO SANTOS

DA SUCURSAL DO RIO


A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, indicou ontem que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) poderá vir a assumir a Eletropaulo, distribuidora de energia controlada pela empresa norte-americana AES.


Na semana passada, a AES declarou-se em "default técnico" e deixou de pagar uma parcela de US$ 85 milhões da dívida que tem com o banco oficial, cuja garantia é a própria Eletropaulo. O BNDES financiou a empresa na privatização da distribuidora.


"A AES será tratada como é: um caso financeiro. Existe a possibilidade de o governo querer resolver a questão da dívida, e as garantias vão estar em questão", afirmou a ministra.


"Eu não acho que nenhuma empresa estrangeira achará isso estranho, até porque eu gostaria que vocês recordassem como foi tratada a Enron nos EUA", completou. A Enron, gigante americana de energia, quebrou depois de estar no centro de um escândalo de fraudes contábeis.


Em relação às dificuldades enfrentadas pelas distribuidoras de energia privadas, Dilma afirmou que "não se pretende ter nenhuma política de resgate de ninguém que esteja em dificuldade".


Quando questionada sobre uma suposta ameaça da EDF (estatal francesa que controla no Rio a distribuidora Light) de deixar o país, a ministra respondeu: "Se essas companhias quiserem sair do país, que saiam".


Dilma considerou "insólito esse tipo de ameaça", mas avaliou que esse não é caso da EDF. "A EDF, ao que eu saiba, até fez um gesto de quem não quis sair do país, porque botou dinheiro na empresa", disse.

O presidente do BNDES, Carlos Lessa, que esteve com a ministra, disse que a solução para o caso da AES transcende a competência do banco estatal: "É uma decisão a ser compartilhada por várias instâncias da República".


A dívida total da AES com o BNDES é superior a US$ 1 bilhão. Segundo Lessa, como a empresa, via Eletropaulo, controla o suprimento de energia elétrica "no coração industrial do Brasil" (a região metropolitana de São Paulo), o seu problema vai além da dimensão bancária.


Como a declaração de inadimplência técnica por parte da empresa dá ao BNDES um prazo de 40 dias para tomar uma posição sobre o que fazer, o banco vai procurar, no decorrer desse prazo, discutir uma saída com outras instâncias do governo.


Burro, ignorante e estúpido

Dilma Rousseff participou no Rio da cerimônia de posse da nova diretoria de Furnas e criticou o modelo energético do governo anterior, no que foi acompanhada pelo presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa.

Pinguelli disse que encontrou o setor numa situação pior do que imaginava. Segundo ele, o problema não são as empresas privadas, mas o modelo, que classificou como "burro, ignorante e estúpido".


O presidente da Eletrobrás informou que a estatal vai contratar escritórios de advocacia para analisar os contratos fechados no último governo. Disse ainda que uma das primeiras medidas será a cobrança de dívidas não-pagas às empresas do sistema Eletrobrás.


Segundo ele, o leque de devedores vai da União a Estados, municípios e fornecedores privados. "Podemos até renegociar, mas tem que pagar", afirmou.


Cemig

A Folha apurou que o Opportunity negocia a compra da parte integral da AES na Cemig -empresa de energia de Minas Gerais. Se fechada, a operação dará ao banco o controle do bloco privado na empresa mineira.



Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *