A matéria abaixo foi publicada no Jornal do Commercio de Recife
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Lula vê erro na reformulação da Chesf
Publicado em 22.04.2010 no Caderno de Economia
Presidente disse que vai corrigir equívocos e fortalecer a empresa
No mesmo dia em que a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), rebatizada de Eletrobras Chesf, “venceu” o leilão da hidrelétrica de Belo Monte, a ser construída no Rio Xingu, o presidente Lula admitiu ter havido erros na elaboração da portaria de regulamentação da reestruturação da empresa. Ele admitiu a falha em entrevista publicada ontem pelos Associados e disse que pediu ao ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, que corrija o erro ainda esta semana.
A mudança promovida no estatuto da Chesf pela Eletrobras, da qual é subsidiária, foi entendida como um esvaziamento e perda de autonomia da empresa nordestina e tem provocado polêmica e protestos veementes por parte de um movimento integrado pelo Instituto Ilumina (ONG que atua no setor elétrico), funcionários da empresa, políticos e técnicos. Com a mudança, todas as decisões antes tomadas pela Chesf no Recife estão sendo levadas para a sede da Eletrobras, no Rio de Janeiro. A Chesf lucra sete vezes mais que sua holding e é a mais rentável empresa do sistema Eletrobras. Em relação a Belo Monte, a empresa foi chamada às pressas porque companhias privadas desistiram da empreitada. A Chesf lidera um consórcio “rachado” (leia matéria na página 2) e será responsável por uma obra que muitos consideram inviável financeiramente.
No que se refere ao esvaziamento da companhia, Lula disse ter chamado o ministro das Minas e Energia, Márcio Zimmermann, na sexta-feira passada, para saber o que estava acontecendo. “Eu disse ao ministro que ele tem que resolver esta semana esse assunto porque é pouca coisa para a gente ficar brigando por isso”. O presidente disse ter pedido ao ministro para dar uma olhada “porque essa coisa é assim: você pega um funcionário não sei de que escalão para fazer uma portaria, sabe, talvez ele tenha colocado coisas exageradamente lá que não precisava ter”. “Isso, da nossa parte, nós vamos resolver, porque o que eu quero é que nós tenhamos todas as filiais fortes e a Eletrobras mais forte ainda.”
“Eu quero uma empresa com capacidade de construir parcerias internacionais, de pegar empréstimo internacional, e não uma empresa falida, apenas uma cartorial”, afirmou ao complementar: “Então nós fizemos, aprovamos no Congresso a Eletrobras como uma holding forte.” Como holding – explicou – essa empresa tem que coordenar suas afiliadas, Chesf, Furnas, Eletronorte e Eletrosul. “O que não pode é tirar autonomia das empresas”, afirmou ao comparar o modelo desejado na Eletrobras ao da Petrobras.
Ele lembrou que ao chegar ao governo as empresas públicas não podiam participar de leilões de energia. Para o presidente, quem agora defende a Chesf “é a direita que não tinha discurso”, são as pessoas que trabalharam para destruir o sistema elétrico brasileiro e por isso privatizaram a Celpe. “que cobra a energia mais cara do País”.