Cerca de dez mil famílias podem ser prejudicadas pela construção das hidrelétricas do Jirau e do Santo Antônio, ao longo do rio Madeira (RO), de acordo com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Nesta terça-feira (31), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) dá início à vistoria ambiental na região. Depois da inspeção, o órgão vai realizar audiências públicas para ouvir a opinião da população local.
As hidrelétricas serão construídas pela central elétrica estatal Furnas e pela Construtora Norberto Odebrecht, que lidera os negócios de Engenharia e Petroquímica na América Latina. Segundo as empresas, o principal motivo para a construção das barragens seria o acréscimo de 6,4 mil megawatts na geração de energia do país.
Para Wesley Ferreira Lopes, da coordenação do MAB em RO, as obras da Jirau e da Santo Antônio fazem parte de um projeto maior, que envolve mais duas barragens para a criação de uma malha de transportes fluvial e rodoviário – que ligará a bacia do Orinoco, na Venezuela, à bacia do Prata.
“Na prática não vai ser só isso, eles estão querendo construir quatro barragens que fazem parte do empreendimento IIRSA (Integração da Infra-estrutura Regional da América do Sul). Querem fazer a hidrovia para transportar mercadorias das empresas internacionais, principalmente a soja. Através da hidrovia, vai baratear o custo do transporte”.
O dirigente do MAB ressaltou, também, que as mudanças ambientais que as hidrelétricas provocarão devem alterar o relacionamento entre os organismos e o ambiente, aumentando assim a ocorrência de malária.
Além de ter sua extensão povoada por cerca de dois mil ribeirinhos, que vivem da pesca e da agricultura familiar, o Rio Madeira é fonte de subsistência de aproximadamente oito mil famílias da região.
(De Brasília, da Agência Notícias do Planalto, Sofia Prestes)
Comentário
Os problemas ambientais levantados pelo MAB devem ser analisados pelo IBAMA que dará um parecer técnico.
Quanto às 10 mil famílias atingidas,à primeira vista nos parece um número exagerado (aprox. 40 mil pessoas?). De qualquer forma, mesmo que seja um número menor defamílias, a questão tem que ser equacionada e esperamos que a participação do MAB nas audiências públicas seja no sentido de buscar uma solução.
Construir hidrovias paraescoamento de produção agrícola, sempre foi, em tese, uma solução buscada no Brasil como positiva em substituição às rodovias.
O ILUMINA defende que todas esses questões devem ser estudadas com maior profundidade. |