Marco regulatório para gás natural preocupa Petrobras
Empresa se mostra apreensiva com remuneração dos investimentos na construção de gasodutos e tarifação por distribuidor para o transporte do gás
O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse nesta segunda-feira, 14 de novembro, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, que vê com muita preocupação algumas questões importantes que envolvem o marco regulatório para o gás natural que está sendo finalizado pelo Ministério de Minas e Energia. Uma delas envolve a remuneração dos investimentos na construção de gasodutos através da tarifa de transporte. Gabrielle criticou a proposta de redução do prazo de retorno dos investimentos na malha de transporte, o que, segundo ele, inviabilizará a aplicação de recursos na construção de dutos.
“A redução de prazo para o investidor ter garantia de que terá de volta o seu investimento é um problema preocupante. Não é viável fazer um investimento assumindo esse risco”, disse ele, ressaltando que o transporte será a chave para o mercado brasileiro de gás natural. Outro ponto que deixa o presidente da Petrobras apreensivo é a proposta de tarifação por distribuidor para o transporte do gás. Para ele, essa política impedirá a expansão do insumo por diversas regiões do Brasil.
Gabrielli destacou que, por ser uma indústria de rede, o gás natural precisa ser monetizado nacionalmente, o que estaria, na opinião dele, associado à aplicação de tarifa locacional. “São dois pontos fundamentais que nos preocupam fortemente nos projetos de lei que estão em discussão”, comentou o executivo, referindo-se também ao projeto de lei proposto pelo senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA).
O presidente da Petrobras não garantiu que a negociação da empresa argentina de transmissão Transaner envolverá, na ponta compradora, a Eletrobrás. Ele afirmou que a holding do setor elétrico é apenas uma das interessadas na aquisição da transmissora, entre outros potenciais concorrentes brasileiros e internacionais. O executivo garantiu que o negócio está sendo tocado pela Petrobras como umanegociação de mercado, sem qualquer viés político que viesse a favorecer a Eletrobrás. “A prioridade é estudar as várias possibilidades da Transaner. Não há nenhum direcionamento específico”, disse Gabrielli, ao participar do Brazil Day, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. (O. Machado,CanalEnergia)